A América de pés descalços e olhares duros é retratada em várias fotografias do período da Grande Depressão – que atingiu o país durante a década de 1930. A imagem Migrant Mother, um retrato de uma mãe com três dos seus sete filhos, tornou-se um ícone desta época, mas há muitas outras fotos que também ajudam a perceber este período de grave crise económica nos Estados Unidos, que acabou por ter efeitos em todo o mundo.

A maioria destas imagens, disponíveis no site da Library of Congress, foram captadas durante o programa de fotografia documental da FSA. A Farm Security Administration foi criada para combater a pobreza rural durante a Grande Depressão e, entre outros projetos, enviou para o terreno um grupo de fotógrafos e escritores responsáveis por documentar as condições de vida dos agricultores.

Um círculo negro

Mas centenas destas fotografias chamam atenção pela presença de um círculo negro que aparece em diferentes localizações da imagem – tanto num canto, como em cima de uma cabeça. Estragos provocados pelo diretor do programa de fotografia da FSA, Roy Stryker. O economista ficou conhecido pelo seu método de recorrer a um furador para "matar" negativos, deixando-os inutilizáveis para a publicação.

Veja algumas das fotos em questão:

Stryker contratou para o programa da FSA fotógrafos como Dorothea Lange, Walker Evans, Arthur Rothstein, Russell Lee e Gordon Parks. Os profissionais recebiam informações detalhadas para cada serviço. Iam para o terreno com o trabalho de casa feito – como se costuma dizer no jargão profissional. No entanto, quando os negativos retornavam para o editor, não escapavam ao furador de Stryker.

Stryker não seguia nenhum critério específico para “matar uma fotografia”. Talvez a fotografia fosse redundante ou tivesse falhado em transmitir a realidade. Talvez Stryker quisesse puxar ao máximo pelos seus fotógrafos. Ou talvez estivesse apenas de mau humor, supõe o site Mashable. No site da Library of Congress a explicação dada é que o furo era uma forma de indicar que aquele negativo não deveria ser revelado.

Nenhum fotógrafo foi poupado ao furador de Stryker que acabou por abrir mão deste método em 1939, após ter recebido várias críticas de profissionais e de ficar conhecido como um editor tirano.

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