"F1: Drive to Survive". Copiar é o maior elogio

Quem navegar pela Netflix nestes dias irá rapidamente aperceber-se de que há uma nova série a dominar o top da plataforma. A nova temporada de “Formula 1: Drive to Survive” estreou na passada sexta-feira, precisamente uma semana antes do regresso do campeonato motorizado mais famoso do mundo inteiro. Se acham que é mera coincidência, basta olharem para a forma como a série mudou por completo a perceção da modalidade e lhe trouxe toda uma nova audiência, numa altura em que cada vez menos pessoas se interessavam por corridas.

Se és fã de Fórmula 1 e sabes do que estou a falar, perfeito. Se és daquele tipo de pessoas mais céticas, que não percebe bem qual é o interesse de uma série documental sobre senhores sentados num carro durante 60 voltas, deixa-me tentar convencer-te daquilo que torna “Drive to Survive” tão bom.

Gostas do que estás a ler?

Então subscreve aqui a newsletter para receber a versão integral no teu email.

Todas as terças e sextas-feiras vais receber não só sugestões do que ler, ver e ouvir mas também as melhores histórias da cultura pop.

Segue o Acho Que Vais Gostar Disto no Instagram (@vaisgostardisto), no Twitter (@vaisgostardisto) e no TikTok (@vaisgostardisto).

O primeiro ponto é muito simples: nem sequer tens de ser fã das corridas para gostar da série. Claro que é mais fácil, mas uma das premissas dos produtores foi que os bastidores das equipas de Fórmula 1 são muitas vezes mais interessantes do que aquilo que está a acontecer no circuito.

Numa definição mais tradicional podemos olhar para as corridas como vinte carros e pilotos a ver quem é o mais rápido e o primeiro a ver a bandeira de xadrez. Mas aquilo que a série nos mostra é que na Fórmula 1 temos não só diversas equipas umas contra as outras, como também, dentro das próprias equipas, lutas entre os dois pilotos que as representam para manter o seu lugar (e estão dispostos a tudo para o conseguir). Isto leva a que, ao longo de um ano, onde se disputam 22 corridas, aconteçam uma série de novelas motivadas pelos interesses de cada piloto: quem teve culpa num acidente, a quem é que a equipa está a dar o melhor carro, quem é que não está a cumprir as expectativas, que equipa tem mais problemas financeiros e decisões mais questionáveis, quais são os ódios de estimação. Entre outros episódios, é isto que torna a Fórmula 1 um desporto tão fascinante de acompanhar.

Se considerarmos que a maior parte dos pilotos são milionários, com vidas super privilegiadas, cujas batalhas são muito mais psicológicas do que outra coisa, porque conduzir um carro a 400km/h representa o único risco para a vida que têm, as diferentes narrativas tornam-se ainda mais interessantes.

O segundo ponto já é mais complexo: “Drive to Survive” é tão bem feito que cria um loop (que deve ser o sonho de qualquer grande jogada de marketing) em que se torna quase obrigatório ver as corridas em direto para descobrir os momentos que vão ser dignos de ser escrutinados e acompanhados pela série uns meses mais tarde. Mesmo sendo difícil medir o impacto exato da série nas transmissões ao vivo, o canal ESPN, que transmite as corridas nos EUA, partilhou que a temporada de 2021 teve mais 53% de pessoas a ver quando comparada com a de 2020. Claro que o facto de ter sido um dos campeonatos mais renhidos dos últimos anos (decidido na última corrida) terá contribuído para isso, mas o fator Netflix é inegável.

Deve ser por isso que outros desportos já estão a tentar copiar o modelo do serviço de streaming para revitalizar as audiências cada vez mais complicadas de prender durante mais do que 5 minutos. Os documentários desportivos não foram inventados pela Netflix, mas o “Drive to Survive” foi o primeiro a ser bem-sucedido a acompanhar a temporada de um campeonato, a dar visibilidade a uma grande parte dos seus intervenientes e a fazê-lo em 10 episódios amigáveis de 30-40 minutos.

Esta segunda-feira chegou ao Prime Video o “MotoGP Unlimited”, que vai tentar ter o mesmo efeito no desporto a duas rodas, acompanhando as principais incidências do campeonato onde participa o português Miguel Oliveira ou o lendário piloto italiano Valentino Rossi. Saindo das corridas, a equipa responsável por “Drive To Survive” já está a trabalhar em duas séries adicionais, onde acompanham outras duas modalidades com muito potencial de telenovela: uma delas vai acompanhar o circuito profissional de golfe, que não sei se vai ser o meu “cup of tea”; a outra vai acompanhar o circuito mundial de ténis nos quatros principais torneios da temporada — Open da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open — e tem tudo para ser incrível. Só é pena ter de esperar até ao fim do ano.

  • “F1: Drive to Survive" está atualmente em n.º 1 no top 10 da Netflix em Portugal

Porque o seu tempo é precioso.

Subscreva a newsletter do SAPO 24.

Porque as notícias não escolhem hora.

Ative as notificações do SAPO 24.

Saiba sempre do que se fala.

Siga o SAPO 24 nas redes sociais. Use a #SAPO24 nas suas publicações.