Em nome da plataforma que junta cerca de uma dezena de estruturas portuguesas, o festival DocLisboa anunciou que Thierry Frémaux se juntou à lista de signatários da “Carta de Protesto e Solidariedade”, divulgada no domingo no âmbito do festival de cinema de Berlim.

Thierrry Frémaux junta-se assim a mais de 500 personalidades portuguesas e estrangeiras ligadas ao cinema que subscreveram uma carta aberta de protesto ao Governo português contra a nova regulamentação da lei do cinema e audiovisual.

Entre os subscritores estrangeiros estão, por exemplo os realizadores Pedro Almodóvar, Mia Hansen-Love, Christophe Honoré, Todd Solondz, Andrei Ujic, Gianfranco Rossi, Kléber Mendonça Filho e Phillipe Garrel.

A lista apresenta ainda responsáveis da Cinemateca Francesa, do Lincoln Center (EUA), do Centro Georges Pompidou (Paris), do Mercado Europeu de Cinema (Berlim) ou do festival de Locarno (Suíça).

A divulgação da carta, que fez notícia nos jornais Le Figaro, El Pais e na Variety, é o culminar de uma semana em que um grupo de cerca de uma dezena de associações de produtores, realizadores, promotores de cinema e sindicatos contestou publicamente a proposta de alteração da lei do cinema e audiovisual, que está ainda por aprovar.

Em causa está a composição dos júris dos concursos de apoio, a atuação do ICA e da secção especializada de Cinema e Audiovisual (SECA) na escolha dos jurados.

Entre os críticos estão a Associação Portuguesa de Realizadores, o sindicato Cena, festivais de cinema, como o Curtas de Vila do Conde e o Doclisboa, e cineastas e produtores como Miguel Gomes, Pedro Borges, João Canijo, Luís Urbano, Salomé Lamas, Leonor Teles e Teresa Villaverde.

No entanto, este não é um protesto consensual e há outros produtores e realizadores portugueses que não assinam esta carta, nomeadamente a Associação de Produtores de Cinema e Audiovisual, a Associação de Produtores Independentes de Televisão, a Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual e a Associação Portuguesa dos Produtores de Animação.

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, afirmou hoje à agência Lusa que a alteração da lei, que está ainda em processo legislativo, reduz “o peso dos financiadores na constituição dos júris” e estes continuam a ser júris do Instituto do Cinema e Audiovisual, que gere toda a atribuição de apoios.

A proposta de alteração da regulamentação é “um passo à frente em relação à lei anterior, na medida em que dá muito mais peso aos criadores, aos produtores, dos júris, embora não exclua deles os financiadores”, disse.

“Aquilo em que estamos em divergência com esses produtores e realizadores é apenas que nós consideramos que os financiadores não devem ser completamente excluídos e postos de parte do processo de decisão”, sublinhou hoje o ministro da Cultura.

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