“Estou a gostar da atividade. Já vi carros nas curvas, no passeio”, contou Francisca à agência Lusa.

Apetrechada com um bloco de ‘minimultas’ – caderno com recados para deixar aos condutores que estacionem em passeios, passadeiras, em frente a garagens, em segunda fila e em curvas –, a estudante do terceiro ano da escola básica dos Coruchéus, em Alvalade, mostrou estar atenta às questões da mobilidade.

“Quando vou para a escola, há um monte de carros estacionados no passeio”, observou, prometendo que, a partir de agora, quando assistir a estas situações, vai alertar os automobilistas.

Também a participar na atividade, que decorreu num bairro residencial junto à escola, André, de 8 anos, e Tomás, de 7, disseram à Lusa ter visto carros “em cima das curvas, do passeio, das passadeiras” e asseguraram nunca ter visto esta situação com os carros dos pais.

A ação em causa enquadra-se no projeto “Pela cidade fora”, que está a ser executado neste ano letivo pela EMEL junto das escolas da cidade de Lisboa, em parceria com a Câmara Municipal (que fornece recursos humanos e meios técnicos).

A acompanhar o grupo de Francisca, Gonçalo e André, o fiscal Alexandre Pereira explicou à Lusa que a sua tarefa “consiste em andar com os miúdos, em parte de um dia, para os sensibilizar para o mau estacionamento e para a mobilidade na cidade”.

Alexandre Pereira comentou que os mais pequenos “ficam entusiasmados” e acrescentou que muitos deles já sabem que “não se deve e não se pode” deixar o carro em certos locais.

Acresce que “há sempre alguns que já ouviram falar da EMEL, porque [a empresa] já existe há 22 anos”.

“Alguns dos pais, eventualmente, já foram autuados nalgum sítio”, admitiu o fiscal, que trabalha na empresa há sete anos.

Falando à Lusa, o presidente da EMEL, Luís Natal Marques, afirmou que este é um “projeto educativo para a mobilidade”.

Através das crianças, a empresa tenciona “chegar aos pais, para lhes levar algumas preocupações que todo o bom cidadão deve ter”, assinalou.

É, também, “uma forma de levar algumas regras de conduta e de cidadania aos mais novos, na esperança de que, quando forem mais velhos, também as ponham em prática”, referiu.

Confrontado com uma possível imagem negativa que estes alunos possam vir a ter da empresa, Luís Natal Marques frisou que “a EMEL, quando age, age em conformidade com a lei”.

“Penso que os mais novos facilmente percebem que um estacionamento no passeio e em cima da passadeira é algo que implica com a mobilidade de terceiros e que importa regular”, adiantou.

Além da atividade “Minifiscal”, o projeto inclui ações para ensinar a andar de bicicleta e para descobrir a cidade.

Estão ainda abrangidas sessões de leitura com o escritor José Fanha, que, no âmbito deste projeto, escreveu quatro livros dirigidos a estudantes dos 3.º, 5.º, 7.º e 10.º anos.

Algumas destas atividades estão já com as inscrições esgotadas.

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