“Foi comprado pelo Estado português com o auxílio dos amigos do Museu Nacional de Arte Antiga e com o auxílio dos portugueses todos, porque a verba teve de ser complementada com algum dinheiro remanescente do dinheiro [da campanha de angariação de fundos para aquisição da ‘Adoração dos Magos’] do Domingos Sequeira”, explicou à Lusa o diretor do MNAA, António Filipe Pimentel.

“A Anunciação”, parte de um díptico pintado pelo artista português Álvaro Pires de Évora entre 1430 e 1434, foi comprada por 280 mil euros, mas a conta final ficou nos 349 mil euros, ao serem adicionados os 25 por cento da comissão da leiloeira.

O futuro do quadro passa agora pelo MNAA, em Lisboa, onde tem um lugar reservado na sala dos Painéis de São Vicente, ficando apenas sujeito ao “processo natural de importação” e todas as questões técnicas a ele inerentes.

Trata-se, assim, de “uma ótima vitoria de nós todos”, sublinhou o diretor do MNAA, que frisou ser o primeiro Álvaro Pires do museu e um “excelente Álvaro Pires”.

O MNAA tinha apresentado formalmente uma proposta à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) no sentido de a obra ser adquirida pelo Estado português, sustentando a sua relevância para o património nacional.

Contactado pela agência Lusa, há duas semanas, sobre uma possível aquisição, o Ministério da Cultura disse que a DGPC tinha recebido a proposta e estava a analisá-la, escusando-se a adiantar mais informações sobre a ida da obra a leilão avançada pelo jornal Público.

De acordo com os dados presentes no catálogo da Sotheby’s, a posse do quadro remonta à família do colecionador suíço Heinz Kisters (1912-1977), que o vendeu ao antigo chanceler alemão Konrad Adenauer (1876–1967), e o adquiriu de novo, mais tarde, aos herdeiros do primeiro chefe de Governo da Alemanha Ocidental, chegando o quadro por herança ao atual dono.

O cadastro dá conta apenas de duas exposições públicas do quadro: a primeira em Estugarda, na Alemanha, em 1959, integrado numa mostra dedicada a antigos mestres, e, mais tarde, na exposição “Álvaro Pires de Évora: um pintor português na Itália do Quattrocento”, do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, para a Lisboa 1994 — Capital Europeia da Cultura, emprestado pelo seu proprietário.

Ainda segundo o catálogo da Sotheby’s, o quadro fez parte dos lotes do leilão da chamada “Coleção Konrad Adenauer”, realizado pela Christie’s, em Londres, em junho de 1970, tendo ficado sem comprador.

Na quinta-feira, a DGPC abriu um processo de classificação do quadro “São Cosme”, da autoria do pintor português Álvaro Pires de Évora, o mesmo que assina “A Anunciação”.

Porque o seu tempo é precioso.

Subscreva a newsletter do SAPO 24.

Porque as notícias não escolhem hora.

Ative as notificações do SAPO 24.

Saiba sempre do que se fala.

Siga o SAPO 24 nas redes sociais. Use a #SAPO24 nas suas publicações.