A mostra estará patente até 22 de março do próximo ano e junta a obra de Alice dos Reis, artista vencedora da 15.ª edição do prémio de fotografia Novo Banco Revelação - organizado pela instituição bancária que lhe dá o nome e pela Fundação de Serralves - e os trabalhos de dois finalistas, Diogo da Cruz e Luís Ramos.

Alice dos Reis, licenciada em Arte e Multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e mestre pelo Sandberg Institute de Amesterdão, apresenta ao público um trabalho inspirado na sua investigação em torno da relação entre espécies, da miscigenação, do hibridismo e da ecologia dos oceanos.

Aos jornalistas, a artista, que submeteu a concurso um filme de ficção especulativa filmado em Lisboa sobre o trabalho de uma bióloga marinha, explicou que este é para si "um tema premente" pelo "contexto atual e muito urgente da calamidade climática".

A par do filme, Alice dos Reis vai apresentar em Serralves uma monografia com textos de Sophia Al Maria, Holly Childs, Stefanie Hessler, Danae Io, Bogna M. Konior, Atrida Neimanis, que são artistas, poetisas, escritoras, bem como uma teórica dos oceanos, somando-se um texto de Ricardo Nicolau, diretor adjunto do Museu.

A publicação, que Alice dos Reis disse ter sido "um enorme desafio pelo pouco tempo para a compilar", pode ser lida antes ou depois de visionado o filme numa espécie de sala de leitura que compõe a exposição.

Na sala anterior, o visitante é convidado a "aproximar a arte da ciência" através da "poderosa máquina fotográfica" de Diogo da Cruz, um objeto inspirado em um detetor de matéria negra que serviu, nos anos 1980 e 1990, os investigadores do Laboratório Nacional de Gran Sasso.

A obra, que segundo o autor "é um trabalho sobre a factualidade, algo importante num tempo em cada vez se confia menos nas notícias", contém material cedido pelos investigadores, material que esteve no ‘coração' da montanha de Gran Sasso, região de Abruzzo, Itália.

Ao lado o trabalho de Luís Ramos que, através de vários objetos considerados banais, como uma toranja, uma tela que foca e desfoca um ponto ou um recipiente transparente com água, realizou uma escultura sobre o processo de captação da imagem.

No centro um conjunto de balanças, "uma escultura pós-minimalista" como descreveu Ricardo Nicolau, destaca-se entre os restantes objetos. Já Luís Ramos explicou que a escultura central, a balança, "mostra um chão que reage".

Os três artistas são vencedora e finalistas de um prémio que "recebeu cerca de meia centena de candidaturas, já teve diferentes modelos" e tem como objetivo "dar a conhecer jovens artistas, estimulando a sua criatividade ao os expor perante públicos abrangentes e diversificados", disse a curadora, Filipa Loureiro.

"O prémio, que parte da fotografia, trabalha criativamente a fotografia e mostra como, a partir de diferentes meios se consegue apresentar a fotografia. As imagens que são recolhidas podem ser configuradas em papel, mas tudo o que vemos nestas salas, os objetos, o filme, são imagens e a fotografia é o momento de captação da imagem", explicou Filipa Loureiro.

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