A Feira do Livro do Porto (FLP), que será um dos “grandes eventos” na cidade após-confinamento, começa um dia depois da Feira do Livro de Lisboa, mas ambas as grandes Feiras terminam no mesmo dia, 13 de setembro.

Nuno Faria, o coordenador desta edição e diretor do Museu da Cidade, diz-se “confiante na adesão das pessoas”, mas os expositores estão "apreensivos com a perda de rendimentos das famílias".

Sob o mote "Alegria para o fim do mundo", inspirado no título do livro de Andreia C. Faria, um total de 120 pavilhões e mais de 80 entidades participantes — entre distribuidores, editoras, livreiros, alfarrabistas — estão representados na sétima edição da Feira do Livro do Porto.

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Todos os anos, uma personalidade é homenageada, sendo que a programação cultural – para todas as idades – reflete essa pessoa de alguma forma.

Este ano, a Feira do Livro do Porto homenageia a poeta Leonor de Almeida e a imunologista, e também poeta, Maria de Sousa, que faleceu recentemente vítima da Covid-19. Será uma edição marcada pelo poder da palavra no feminino.

Pela primeira vez, o espaço físico da Feira estende-se até à Casa do Roseiral. O Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota recebe o ciclo de Debates e uma sessão especial das Quintas de Leitura.

A programação foi desenvolvida pela equipa da Ágora, empresa de cultura, desporto e animação do Município do Porto (antiga PortoLazer) que trabalhou nas várias áreas a quem se junta a dupla de curadores convidados Anabela Mota Ribeiro e José Eduardo Agualusa. Os Maus Hábitos desenharam um programa de Concertos de Bolso, uma das novidades desta 7ª edição.

Andar pela Feira do Livro do Porto

A FLP abre de segunda a sexta-feira às 12h00 e aos sábados e domingos às 11h00. Encerra de domingo a quinta-feira às 21h30 horas; sextas-feiras e sábados às 23h00. Mas, "por motivos de interesse público", o horário está sujeito a alterações.

Ao passear pelos Jardins do Palácio de Cristal, a circulação é condicionada com medidas de prevenção, devido à atual pandemia de Covid-19. Haverá pontos de álcool-gel e desinfetante espalhado pelo recinto, mas há mais medidas a cumprir.

O plano de contingência da FLP inclui uma lotação máxima de 3.500 pessoas em simultâneo no recinto. O Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto assegurará a limpeza especial do recinto.

Em vários locais do recinto vão estar equipas de assistentes e monitores, assim como da Proteção Civil.

Todas as atividades da programação terão uma lotação limitada, nuns casos de entrada livre, mediante ordem de chegada (Concha Acústica, Lago dos Cavalinhos, Ilha e Terreiro do Lago), noutros casos de entrada gratuita, mediante levantamento do bilhete 30 minutos antes do início das atividades (na Biblioteca Municipal Almeida Garrett) ou 1h30 antes, no caso dos Debates e Quintas de Leitura, que decorrem no Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota.

  • Compras e acesso aos pavilhões

É obrigatório o uso de máscara ou viseira em qualquer interação comercial e o respeito pelo distanciamento físico de dois metros. Outra medida de código de conduta esperada é a desinfeção das mãos ou luvas após comprar algo.

No momento de pagar pelos seus livros ou outras compras, é incentivado o pagamento eletrónico, como aplicações que não exigem o contacto ou troca de notas ou moedas.

  • Atividades ao ar livre

Estando ao ar livre, não é obrigatório o uso de máscara, mas é necessário respeitar os acessos de entrada e saída, incluindo caminhar sempre pela direita. Manter a distância de segurança de dois metros, desinfetar e as mãos com frequência e, se precisar, há caixotes assinalados para depositar a máscara e luvas.

  • Atividades em espaços fechados

É sempre obrigatório usar máscara em espaços fechados da Feira do Livro. Para entrar e sair, há circuitos definidos a cumprir – e caso saia da sala, não é permitido voltar ao seu lugar.

As salas terão lotação máxima e é necessário manter distância de segurança, sempre.

Feira do Livro do Porto
créditos: Feira do Livro do Porto

Programação da Feira do Livro do Porto

A Feira terá espaço próprio para a apresentação de livros e sessões de autógrafos, mas não é só disso que é feito este evento. Há cinema, debates, lições, concertos, espetáculos e oficinas.

Pode consultar toda a programação, por dia e por tema, no site da Feira do Livro do Porto.

  • Lançamento de livros

Durante o evento, serão lançadas duas edições. A primeira reúne numa só obra a poesia da homenageada Leonor de Almeida. A segunda edição é dedicada ao livro "1820-2020", que assinala o bicentenário da Revolução Liberal do Porto.

  • Conversas

No penúltimo dia de Feira juntam-se dois livros – “Inferno”, de Pedro Eiras, e “Antologia Dialogante de Poesia Portuguesa”, com escolha e apresentação de Rosa Maria Martelo – ambos da Assírio & Alvim.

Nesta sessão, cruzam-se diálogos. “Uma das faculdades do poeta é de auscultar as vozes do passado e dialogar com elas”, lemos no programa. Os dois poetas vão falar de diálogos entre poetas de tempos diferentes: o diálogo de Pedro Eiras com Dante Alighieri no seu mais recente livro, “Inferno”, e as pontes entre poemas escolhidos por Rosa Maria Martelo na sua “Antologia Dialogante de Poesia Portuguesa”. Esta sessão acontece às 16h00 no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

  • Infantojuvenil

Dia 29 de agosto, às 11h00 e às 15h00, a Sala Infantojuvenil da Biblioteca Municipal Almeida Garrett recebe o “Bicho da Letra”.

Dirigida a crianças a partir dos 6 anos, acompanhadas de um adulto, esta oficina do universo dos bichos das histórias de Luís Sepúlveda, em jeito de homenagem, e também do universo animal presente nos Jardins do Palácio de Cristal.

Cada visitante poderá fazer o seu bicho letra e optar por deixá-lo ou levá-lo consigo para viver noutros habitats. Cada sessão tem lotação limitada, por isso é necessária Inscrição prévia para bmp@cm-porto.pt .

No domingo, dia 30 de agosto, pelas 11h00, o Jardim da Pena alberga o “Porto Literário Trocado Por Miúdos” – uma proposta de visita a uma zona da cidade a partir da Literatura, nomeadamente, a partir de um conjunto de livros infantojuvenis de autores ligados ao Porto.

Com recurso a audioguias para acompanhar a viagem através de excertos da obra e do trabalho performativo de uma equipa de atores que animam o percurso e introduzem jogos, esta visita performativa tem lugar para 30 pessoas. Inscrições em geral@bairrodoslivros.com. Repete a 6 de setembro, às 11h00, e de novo dia 13.

  •  Debates

Nestes debates, sempre às 19h00, no Auditório do Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, o convite é refletir sobre o papel da palavra na reiniciação e reinvenção do mundo.

Domingo, dia 30 de agosto, tem lugar o debate com David Machado e Patrícia Reis, moderado pelo jornalista Pedro Santos Guerreiro, “sobre os mais belos fins do mundo da história da literatura”.

João Tordo irá sentar-se ao lado da jovem romancista angolana Yara Monteiro para discutir questões de identidade e de lugar de origem na ficção contemporânea – dia 5 de setembro. Teresa Nicolau modera a conversa.

Dia 6, a romancista brasileira Tatiana Salém Levy falará com Rui Cardoso Martins sobre violência e redenção. Ana Daniela Soares é a moderadora.

Clara Ferreira Alves e Sobrinho Simões tentarão perceber o que mudou para sempre e o que deveria mudar, dia 12. Cabe a Ricardo Alexandre a moderação.

No último dia de Feira, 13 de setembro, Richard Zimler, autor de “O Último Cabalista de Lisboa”e “Os Anagramas de Varsóvia”, e a escritora e dramaturga Joana Bértholo, autora de “Ecologia” e “Diálogos para o fim do mundo”,  vão falar sobre o futuro do futuro e sobre como escrever distopias num tempo distópico, com moderação de Teresa Coutinho.

"É Desta Que Leio Isto"

"É Desta Que Leio Isto" é um grupo de leitura promovido pela MadreMedia e por Elisa Baltazar, co-fundadora do projeto de escrita "O Primeiro Capítulo”.

Lançado em maio de 2020, foi criado com o propósito de incentivar à leitura e à discussão à volta dos livros. Já folheámos as páginas de livros de autores como Luís Sepúlveda, George Orwell, José Saramago, Dulce Maria Cardoso, Harper Lee e Valter Hugo Mãe, sempre com a presença de convidados especiais que nos ajudam à discussão, interpretação, troca de ideias e, sobretudo, proporcionam boas conversas.

Para além dos encontros quinzenais para discussão de obras literários, o clube conta com um grupo no Facebook, com mais de 850 participantes, que visa fomentar a troca de ideias à volta dos livros, dos seus autores e da escrita e histórias que nos apaixonam.

  • Música

Este ano, a FLP estende-se até ao terreiro exterior da Casa do Roseiral, palco dos Concertos de Bolso, com programação dos Maus Hábitos. Com os concertos de final de tarde reúnem-se músicos de diferentes géneros e gerações.

Os Baleia, Baleia, Baleia, Angélica Salvi ou Peixe são alguns dos nomes que subirão, diariamente, ao palco.

Também terão lugar concertos da Porta-Jazz ao relento e ainda um concerto de encerramento com Mário Laginha e Pedro Burmester.

Lembrar as poetas: as homenageadas desta edição

A Feira do Livro do Porto homenageia a poeta Leonor de Almeida, no ano em que se cumprem 111 anos do seu nascimento, e a imunologista e também poeta Maria de Sousa, que faleceu recentemente vítima da Covid-19.

Sábado, dia 29 de agosto, pelas 17h00, na Concha Acústica, vai ser atribuída a Tília a Leonor de Almeida. José Mário Branco, Mário Cláudio, Vasco Graça-Moura, Agustina Bessa-Luís e Sophia de Mello Breyner Andresen também já foram homenageados.

Leonor de Almeida tem o mesmo nome da Marquesa de Alorna e foi “das mais invulgares poetas do séc. XX”, segundo a organização da Feira. Em tempos aclamada por inúmeros críticos literários, foi considerada em 1951, pela revista A Serpente, como autora “dos mais fortes poemas até hoje assinados por um nome de mulher em Portugal.” A sua obra foi incluída em diversas Antologias, como “Poesia Erótica e Satírica” de Natália Correia e “Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa” de M. Alberta Meneres e E. Melo e Castro.

Colaborou com poemas, artigos e entrevistas nos principais jornais e revistas dos anos 40 e 50. Nasceu no Porto, viveu em Londres, Paris, Copenhaga e publicou quatro livros de poesia. Para além de poeta, foi enfermeira, fisioterapeuta e esteticista.

Maria de Sousa também é reconhecida e lembrada. Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, disse que "para além de ser uma extraordinária imunologista e cientista, também nos deixou um legado de poesia", recordando que a homenageada foi um dos rostos visíveis das vítimas da pandemia.

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