A notícia foi avançada pela TimeOut Lisboa. Segundo a publicação, o "regresso está marcado para 30 de setembro, sexta-feira, na Rua da Cintura do Porto".

As discotecas estavam fechadas desde março de 2020 e este regresso faz-se com algumas mudanças: melhor som, mais área disponível, copos recicláveis, uma aplicação para a compra de entradas, uma “pista de dança de geometria variável” no Jamaica e "um palco maior e mais alto" no Tokyo.

Fernando Pereira, sócio da estrutura dona do Tokyo e do Jamaica, garantiu ainda à publicação que no Jamaica esperam-se  “os clássicos de sempre da pop, do rock e do reggae” e no Tokyo haverá  continuidade na "aposta em novos projetos e na diversidade de géneros musicais”.

Bruno Dias manter-se-á na cabine do Jamaica e a programação do Tokyo estará a cargo de Fred Martinho (HMB) e Rui Pedro Pity (The Black Mamba).

Da chamada ‘rua cor-de-rosa’, os dois clubes, fechados desde março de 2020 devido à pandemia de covid-19, passam para o quarteirão atrás da estação de comboios do Cais do Sodré e ao lado da estação fluvial, recuperando armazéns frente ao Tejo.

As obras começaram no final de 2021 e Fernando Pereira admitiu à Lusa, em maio, alguns atrasos no arranque. “Tivemos algumas dificuldades iniciais porque estávamos a contar conseguir ter uma estrutura que suportasse o projeto, e acabámos por ter que demolir alguns elementos e praticamente fazer uma obra de raiz”, explicou à data.

A pandemia veio alterar um pouco a gestão da empreitada, já que os dois clubes, juntamente com o Europa (que não abre na mesma altura por as obras estarem mais atrasadas), iriam deixar os espaços na Rua Nova do Carvalho apenas quando as novas casas estivessem prontas, havendo uma continuidade e não um interregno, como acabou por acontecer.

“Acabámos por acordar com o senhorio uma saída antecipada que teve um valor de compensação, porque não fazia sentido continuarmos a adiar, adiar, e a pandemia a continuar e a continuar”, explicou Fernando Pereira.

Em 2021, ano em que o Jamaica fez 50 anos, terminou um longo processo que teve início em outubro de 2015, após uma denúncia do contrato de arrendamento por parte dos senhorios.

Os espaços continuaram a funcionar até março de 2020, quando tiveram de encerrar portas devido ao primeiro confinamento, isto depois de em dezembro de 2018 terem tido a garantia de que teriam um novo espaço disponibilizado pelo município.

Em 2021 foi anunciado que os projetos e obras seriam custeados pelas discotecas, com o acréscimo do pagamento de uma renda à câmara, e que o prédio onde se localizavam antes foi vendido pelos cerca de 30 proprietários a uma imobiliária, que, por sua vez, o revendeu a um grupo hoteleiro francês.

Nos novos espaços, salientou Fernando Pereira à Lusa, há “condições de vida que não se conseguiriam nunca ter” nas antigas salas, já que não havia copa, armazém ao lado do bar ou zona técnica e até os “aparelhos de ar condicionado estavam na cave, quando deviam estar no telhado”. “Tudo isso eram dificuldades que tínhamos e que eram inultrapassáveis”, frisou, recordando que no Tokyo não havia sequer espaço para um camarim para poder receber as bandas que iam atuar.

O Jamaica, conhecido por passar clássicos de rock e pop, terá o dobro da capacidade, cerca de 300 clientes, mas o ambiente, de acordo com Fernando Pereira, será sempre o mais fiel possível em relação ao que havia no Cais do Sodré: há uma parede que se desloca, “permitindo fechar o espaço” e ter “praticamente o mesmo ambiente” nas noites mais fracas - as terças, quartas e quintas. Quanto ao Tokyo, vai continuar a receber e a promover bandas.

Fernando Pereira mostrou-se à data expectante acerca da reabertura e de como será o futuro, após um investimento que, no conjunto, supera um milhão de euros.

“A marca Jamaica, e nos últimos anos a marca Tokyo, na música ao vivo, conseguiu conquistar muita gente e muitos projetos e continua fortíssima”, frisou, admitindo que de início possa haver alguma confusão quando se disser que o Jamaica reabriu e não está nas instalações antigas, mas será uma questão de passar a palavra, porque, afinal, estará só a 500 metros de distância.

“Não hesitei quando escolhi o espaço. A entrada vai ser única, quem entrar vai conseguir aceder ao Jamaica ou ao Tokyo, ou ambos, sem qualquer restrição. Depois, sem ter que sair para a rua, conseguem ter um espaço para poderem fumar, para confraternizar exterior sem o barulho da música”, explicou, lembrando ainda que o pátio exterior poderá abrir mais cedo do que os próprios clubes para iniciativas várias.

As casas, apesar de novas, irão ter "a mesma alma”, garantiu o sócio.

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