Instalado na antiga escola de primeiro ciclo da aldeia (fechada desde 2009), o espaço “Nasci na Azinhaga”, que se articula com a sede da fundação em Lisboa, na Casa dos Bicos, e com as instalações de Lanzarote, é inaugurado no âmbito das comemorações do décimo aniversário da Fundação José Saramago (FJS), segundo uma nota colocada na página desta instituição.

Além da abertura do espaço, cujo projeto de recuperação resultou de uma parceria entre a Junta de Freguesia de Azinhaga, a Fundação José Saramago e a Câmara Municipal da Golegã, a cerimónia inclui a inauguração de um passeio e de um passadiço, junto ao rio Almonda onde estão inscritas, em 12 painéis de azulejos, as palavras sobre aquela paisagem retiradas de livros do escritor.

O presidente da Junta de Freguesia da Azinhaga, Vítor Guia, disse à agência Lusa que o caminho, que começa com o texto inicial de "As Pequenas Memórias", tem um 13.º azulejo, já afastado do rio, no local onde Saramago viu o lagarto verde com que termina o livro, com esse excerto aí reproduzido.

Para a antiga escola primária, um edifício amplo da autoria do arquiteto Raul Lino, foi transferida a sede da FJS que se encontrava num pequeno prédio situado na estrada principal que atravessa a aldeia, junto da estátua do escritor, e ao qual será dado outro destino, disse.

Num dos salões fica instalada a sala de leitura e, no outro, um auditório e sala de exposições, enquanto um dos dois gabinetes acolhe a recriação de uma cozinha como a que Saramago descreve ter sido a dos seus avós, com a chaminé e os banquinhos azuis e a louça da época.

É ainda possível ver a cama onde os avós de José Saramago dormiam e que, como contou no discurso do Prémio Nobel, servia de abrigo, nas noites de frio, aos animais “mais delicados”.

Também são mostradas fotos de família do tempo de “As Pequenas Memórias”, reconstruindo-se “um certo modo de vida rural”.

O programa de inauguração, com a presença da presidente da FJS, Pilar del Rio, grande “entusiasta” do projeto, como sublinha Vítor Guia, inclui um almoço para a população e culmina com uma encenação teatral do “Ensaio sobre a Cegueira”, que o Grupo Cénico Casa da Comédia estreou em novembro, mês que a aldeia dedica a Saramago.

Para Vítor Guia, o novo espaço, que estará aberto de terça-feira a sábado, dará “maior visibilidade” à presença de José Saramago na aldeia, com melhores condições para receber os muitos turistas que a visitam, mas também para passar a “trazer escolas”, para que crianças e jovens de todo o país conheçam melhor a vida e obra de Saramago.

Frisando que já passaram pela aldeia visitantes de 30 nacionalidades, o autarca recorda a história “muito engraçada” da senhora alemã que, há cerca de um ano, apareceu de táxi vinda diretamente do aeroporto de Lisboa, ao qual regressou algumas horas depois para apanhar o voo de regresso a Dusseldorf.

“Apanhou o avião de propósito para vir conhecer a terra de Saramago. Não foi a mais lugar nenhum”, disse.

Vítor Guia disse à Lusa que, feito o caminho junto ao rio, fica por concretizar o projeto para criação de caminhos nos vários espaços que Saramago percorria e que estão presentes em “As Pequenas Memórias”.

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