Editado pela Dom Quixote, “O fim do fim da Terra” estreia-se em Portugal, com tradução de Francisco Agarez, em simultâneo com a edição americana.

Composta por ensaios e discursos escritos maioritariamente nos últimos cinco anos, esta obra apresenta um Jonathan Franzen que “regressa com uma energia renovada aos temas que há muito o preocupam”, refere a editora.

“Seja explorando o seu complexo relacionamento com o tio, recordando a sua vida de jovem adulto em Nova Iorque ou proporcionando-nos uma perspetiva esclarecedora da crise das aves marinhas à escala mundial, estes textos contêm toda a inteligência e realismo desencantado que nos habituámos a encontrar em Franzen”, descreve a Dom Quixote.

No seu conjunto, estes textos desenham a evolução de um “pensamento original e maduro” em luta consigo próprio, com a literatura e com algumas das questões mais importantes do presente, que a atualidade política torna ainda mais prementes, como as alterações climáticas e as promessas e armadilhas das redes sociais, da tecnologia e do consumismo.

Mais do que cronista, Franzen apresenta-se como um guia que mostra onde as instituições e ferramentas que a humanidade construiu a pode levar no futuro, e os perigos, daí decorrentes, que se atravessam no caminho.

O autor tornou-se reconhecido nos últimos anos pelas suas opiniões sobre estes temas, assim como sobre a crise das aves, assunto que lhe é caro desde que se tornou um observador de pássaros e, com isso, militante em defesa da sua preservação.

Frequentemente, Jonathan Franzen aborda de forma crítica temas como o Twitter, que considera o “meio de comunicação mais irresponsável”, a proliferação dos ‘ebooks’, cuja “impermanência” considera “incompatível com princípios duradouros”, ou a desintegração da Europa, onde “as pessoas que tomam as decisões são os banqueiros”, o que “tem muito pouco a ver com a democracia ou a vontade do povo”.

A literatura também merece considerações do escritor que considera que cada vez mais a ficção literária se assemelha ao ensaio, e dá como exemplo alguns dos romances mais influentes dos últimos anos, de Rachel Cusk e Karl Ove Knausgaard, que “levam o método do testemunho autoconsciente na primeira pessoa a um novo nível”.

“Os seus admiradores mais radicais dirão que a imaginação e a invenção são artifícios antiquados; que habitar a subjetividade de uma personagem diferente do autor é um ato de apropriação, até de colonialismo; que o único modo de narrativa autêntico e politicamente defensável é a autobiografia”, escreveu Franzen, num artigo publicado pelo jornal The Guardian.

Enquanto isso, o ensaio pessoal – o aparato formal do autoexame honesto e o envolvimento sustentado com as ideias, desenvolvido por autores como Montaigne e promovido por outros como Emerson, Woolf e Baldwin — “está em eclipse”, lamenta.

A Dom Quixote tem vindo a publicar a obra do ensaísta e romancista norte-americano, tendo começado, em 2003, com “Correções”, um drama familiar satírico, que recebeu grande reconhecimento da crítica e do público, e valeu ao autor os prémios National Book Award e James Tait Black Memorial Prize.

Este romance teve cinco edições em Portugal, a última das quais em 2015.

Foram ainda publicados pela Dom Quixote, “Liberdade”, “A zona de desconforto” e “Purity”.

Jonathan Frazen nasceu em Western Springs, Illinois, em 1959, e cresceu em Webster Groves, Missouri, um subúrbio de St. Louis, Missouri, tendo-se licenciado em alemão pelo Swarthmore College, em 1981.

Em 1987 mudou-se de Boston – para onde fora viver com o objetivo de seguir carreira como escritor – para Nova Iorque, e no ano seguinte publicou a sua primeira obra, “The Twenty-Seventh City” (sem tradução para português), um romance que trata da decadência da cidade de St. Louis.

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