O primeiro Museu do Triciclo do país abre ao público durante o mês de setembro, perto da vila de Mesão Frio, e concretiza um sonho de Jorge Rodrigues, de 39 anos e natural de Teixeiró, Baião.

“Eu nunca tive nenhum triciclo em pequenino, nem na minha freguesia havia nenhum triciclo (...). Quando comecei a ver triciclos, peças tão bonitas, comecei a adquiri-las. Pensei: 'já que não tive em pequenino, vou começar a ter agora'”, afirmou à agência Lusa.

Comprou a primeira peça aos 22 anos e contabiliza já centenas, umas mais antigas, outras mais recentes. À boleia dos triciclos, dos mais variados tamanhos e feitios, de metal ou madeira, vieram os carrinhos, os cavalinhos, os carrinhos de bonecas e os carrinhos de bebé e as bicicletas. Há bicicletas de dois lugares e até uma antiga que possui uma roda muito grande e outra pequena.

Para a coleção inicial foram selecionadas 60 peças. “O que eu quero é que quem vem visitar o museu sinta que são peças antigas e bonitas e que são peças que contam histórias”, frisou.

O museu está instalado na antiga da casa da Quinta de São José, onde Jorge Rodrigues começou a trabalhar aos oito anos, primeiro sazonalmente, na vindima, e mais tarde a tempo inteiro.

A vida dá muitas voltas e, depois de passar por Lisboa e por França, depois de trabalhar na construção e na apanha do morango, acabou por criar a sua própria empresa de construção civil, que lhe permitiu fazer “o negócio de sonho”.

A antiga proprietária da quinta queria fazer obras numa outra propriedade. Jorge queria comprar a quinta onde trabalhou em criança e, por isso, resolveram trocar. O empresário fez as obras e ficou com a propriedade.

Para além do museu, neste edifício vão ser construídos nove quartos para alojamento turístico e, nos antigos lagares de vinho, vai ser instalado um restaurante.

Neste momento, ultimam-se os trabalhos de instalação dos triciclos. Especialistas da empresa Archeo Estudos fizeram a inventariação e o registo das peças. Já foram inventariados 252 veículos, mas o espólio de Jorge Rodrigues atinge os cerca de 600.

A sala principal do museu vai ficar organizada por temas, uma amostra dos vários tipos de peças recolhidas pelo colecionador, a história dos triciclos (dos primeiros modelos aos mais recentes), as fábricas e o uso deste veículo como modo de transporte.

O espaço tem ainda uma espécie de armazém onde ficarão guardadas as muitas outras peças que não vão integrar a exposição.

Paula Barreira Abranches, da empresa, referiu que esta coleção possui peças de toda a Europa, da Ásia e Estados Unidos da América (EUA), algumas das quais remontam aos inícios do século XIX.

“Isto contagia qualquer pessoa, porque são as nossas memórias de infância. Depois, é interessante porque quando começamos a desfiar o novelo, vamos parar ao Japão, à Noruega ou à Dinamarca, damos a volta ao mundo”, afirmou a especialista.

A Archeo Estudos contactou outros museus e fabricantes para fazer a história das peças, um trabalho dificultado pelo facto de algumas dessas fábricas já terem fechado.

Ao longo dos anos, Jorge Rodrigues investiu milhares de euros na aquisição dos veículos, o mais caro dos triciclos quais custou 12.000 euros e já pagou 6.000 euros por uma bicicleta. Mas muitas das peças também foram doadas.

“Eu falo de coração e ao falar de coração as pessoas cedem-me as peças”, frisou.

O presidente da Câmara de Mesão Frio, Alberto Pereira, também contribuiu com um pequeno triciclo de madeira que foi construído pelo seu pai.

O autarca destacou a importância deste museu, sublinhando que será um motivo de atração de turistas para este concelho do distrito de Vila Real.

Para complementar a oferta neste município, a câmara vai também instalar o Museu do Barco Rabelo, na antiga escola primária da Rede, um projeto que deverá arrancar em breve.

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