Na 4.ª temporada de "The Crown", a ação decorreu nos anos 80 e testemunhámos vários acontecimentos marcantes na vida de Isabel II, líder da Coroa. Foi o caso do primeiro encontro com Margaret Thatcher e da sua relação atribulada por alturas do apartheid na África do Sul ou dos terramotos em Windsor (e na imprensa) provocados pelo casamento do filho Carlos e dos problemas de saúde mental da irmã Margarida. (Num tom mais alcoviteiro, até ficámos a saber quais eram os filhos favoritos do Rei e da Rainha.)

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No entanto, se os acontecimentos do pequeno ecrã foram dramáticos para a Rainha, fora dele valeram uma chuva (enxurrada, na verdade) de prémios para a Netflix, nomeadamente nos Emmys. A nível individual, o elenco principal esteve praticamente todo nomeado e quatro atores levaram mesmo a estatueta para casa (Olivia Colman, Tobias Menzies, Gillian Anderson e Josh O’Connor, que interpretaram, respetivamente, Isabel II, Rei Filipe, Margaret Thatcher e Príncipe Carlos). A nível global, ganhou o prémio que se pretende nestas andanças: o de Melhor Série - Drama.

Agora, os royals estão de regresso à Rainha do Streaming e a história dá um saltinho temporal, sendo que a ação decorre nos anos 90 e tem muito foco em 1992, o "Annus horribilis", para parafrasear a própria Isabel II. Ou seja, mergulha diretamente na crise matrimonial dos filhos (em quatro, três divorciaram-se nesse ano) e no incêndio que alastrou no amado Castelo da família. O problema? Há uma "memória viva" do que é retratado e há muitas vozes a considerar que a Netflix e Peter Morgan (o criador) trataram o divórcio de Carlos e Diana com demasiado sensacionalismo, para causar choque e aumentar a dramatização (claro, não podia faltar a famosa entrevista de Diana à BBC). Por outras palavras, para fazer uma boa série, "exploram a imagem" da Família real, demonizando inclusivamente um pouco a figura do agora Rei Carlos III.

Morgan, contudo, rejeita este argumento e assume inclusivamente ter "uma enorme simpatia" pelos monarcas. "Penso que todos temos de aceitar que os anos 1990 foram muito difíceis para a família e o Rei Carlos terá certamente memórias muito dolorosas desse período", disse à Variety, tentando justificar as críticas que vieram de vários quadrantes, incluindo via carta aberta da atriz Judi Dench (que a apelida a série de "uma crueldade que não pode passar impune") ou o ex-primeiro-ministro britânico Sir John Major (que considera "The Crown" um "barril de pólvora de disparates").

Como resposta, e no meio do coro de críticas, a Netflix a colocou uma chamada de atenção na descrição do trailer da nova temporada no YouTube, a lembrar que se trata de uma "dramatização de ficção inspirada em eventos reais".

A pior até agora?

Nesta 5.ª temporada, acontece aquilo a que já assistimos na estreia da terceira: há um novo elenco, pelo que temos caras novas. Algumas, de peso. Imelda Staunton (Dolores Umbridge de Harry Potter) é a nova Rainha, Jonathan Pryce (Papa Francisco de "Os Dois Papas") será o marido Rei Filipe, a australiana Elizabeth Debicki (Jordan Baker de "The Great Gatsby") a princesa Diana, ao passo que Dominic West (Jimmy de "The Wire" e Noah Solloway de "The Affair") será o Príncipe Carlos. Facto curioso: o filho de Dominic West na vida real, Senan West, vai interpretar o Príncipe Guilherme.

E o que diz quem já viu alguma coisa? Que de todas as temporadas que dão corpo à série, esta quinta "é a pior" (estão previstas seis, acabando esta jornada real no início dos anos 2000). Pelo menos, na opinião dos críticos que figuram no Metacritic — o que não significa que o consenso geral não seja positivo, porque é. A quinta temporada é segura e tem o seu apelo habitual. Só não está é tão boa como as anteriores. Os números ajudam a dar uma imagem do que aqui falamos. Portanto, quando se fala em "consenso geral positivo", quer dizer que se baixou de uma "nota boa" para "satisfaz". Assim:

  • 1.ª Temporada: 81%

  • 2.ª Temporada: 87 %

  • 3.ª Temporada: 84 %

  • 4.ª Temporada: 86 %

  • 5.ª Temporada: 68 %

Pondo isto, a pergunta que agora impera é: será que isto  (críticas e reviews) interessa assim tanto? O mais provável é que não. Tanto que aquele #1 do Top 10 das séries mais vistas da plataforma dificilmente vai fugir a "The Crown" nas próximas semanas.

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