A antologia, organizada pelo poeta Gonçalo Salvado, vai ser apresentada na aldeia da Póvoa da Atalaia, no concelho do Fundão, terra natal de Eugénio de Andrade, no dia do nascimento do autor de “As Mãos e os Frutos” e “Palavras Interditas”.

Organizada numa colaboração da Editora Lumen com a Livraria Sá da Costa Editora, de Lisboa, em parceria com uma produtora vinícola, a antologia tem por editor Ricardo Paulouro e “insere-se numa coleção de poesia, (…) dirigida por Gonçalo Salvado, cujas obras surgem em formato original livro/garrafa”, com o objetivo de “materializar a relação simbólica e milenar entre o vinho e a poesia”.

A sessão de apresentação tem início às 16:30 e fica a cargo de Gonçalo Salvado e da crítica de arte e ensaísta Maria João Fernandes.

Esta antologia, “que apresenta uma seleção das referências ao fogo e ao vinho na poesia Eugénio de Andrade”, reproduz na capa um retrato inédito do poeta da autoria do designer gráfico Dorindo Carvalho.

“Contém ainda um ‘fac-símile’ de um poema manuscrito de Eugénio de Andrade oferecido pelo poeta a Gonçalo Salvado (…), uma nota de abertura do editor, do autor da antologia e uma apresentação de Maria João Fernandes”.

O centenário de Eugénio de Andrade, que se completa a 19 de janeiro de 2023, será assinalado ao longo do próximo ano com várias iniciativas, entre as quais um colóquio internacional e uma grande exposição bio-bibliográfica, tendo sido constituída uma comissão para organizar as comemorações.

“Se fosse vivo, Eugénio de Andrade faria 99 anos [hoje]. Nesta oportunidade, foi constituída uma Comissão que se encarregará de promover diversas iniciativas que celebrem dignamente o centenário do nascimento do poeta”, anunciou na terça-feira, em comunicado, a Comissão Organizadora do Centenário do Nascimento de Eugénio de Andrade.

Estes dois eventos – o colóquio e a exposição -, os mais importantes já previstos, vão realizar-se no Porto e no Fundão, em datas e lugares ainda por indicar.

A comissão prevê igualmente que se realizem, ao longo de 2023, outras iniciativas em vários lugares do país, como pequenos colóquios, exposições, publicações ou recitais.

A Comissão Organizadora do Centenário do Nascimento de Eugénio de Andrade é constituída por Federico Bertolazzi (Universidade “Tor Vergata”, de Roma), Joana Matos Frias (Universidade de Lisboa), José Tolentino Mendonça (Universidade Católica Portuguesa), Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto) e Carlos Mendes de Sousa (Universidade do Minho).

Para já, a comissão conta com os apoios da Câmara Municipal do Porto, da Câmara Municipal do Fundão e do CITCEM — Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memória”, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

No sábado, no Auditório da Moagem, no Fundão, realizar-se-á também o espetáculo “Poesia em Eugénio”, dedicado ao poeta, por iniciativa da Fundação Inatel.

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu em 1923, no Fundão, e morreu no Porto em 2005, aos 82 anos.

Apesar do seu prestígio nacional e internacional, viveu sempre distanciado da vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com “essa debilidade do coração que é a amizade”.

A sua extensa produção literária granjeou-lhe vários prémios e distinções, entre os quais o Premio Camões, em 2001, mas também o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), o Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus (1988) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989).

Em 2017, a Assírio e Alvim reuniu toda a poesia de Eugénio de Andrade, a partir da última edição revista em vida pelo autor, num volume com prefácio de José Tolentino Mendonça.

Além de vasta obra poética, Eugénio de Andrade publicou alguns livros em prosa, designadamente “Os afluentes do silêncio”, “História de égua branca”, com ilustrações de Manuela Bacelar, “Rosto precário” e “À sombra da memória”.

Fez também traduções de Federico García Lorca, de Iannis Ritsos, das “Cartas Portuguesas (atribuídas a Mariana Alcoforado)” e de “Poemas e fragmentos de Safo”.

Eugénio de Andrade encontra-se sepultado no Cemitério do Prado do Repouso, no Porto, tendo a sua campa sido desenhada pelo arquiteto e seu amigo Álvaro Siza, incluindo a inscrição dos versos do seu livro “As Mãos e os Frutos”.

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