Depois de publicar a obra “Grande Sertão: Veredas”, um dos títulos mais emblemáticos da literatura brasileira, Guimarães Rosa estreou se na forma breve com “Primeiras Estórias”, um livro de contos, que ganha agora a sua primeira edição portuguesa.

Nas palavras do próprio Guimarães Rosa – numa carta ao tradutor francês – “‘Primeiras Estórias’ é, ou pretende ser, um manual de metafísica e uma série de poemas modernos. Quase cada palavra, nele, assume a pluralidade de direções e sentidos, tem uma dinâmica espiritual, filosófica, disfarçada”.

É, pois, como sintetiza a editora, um “livro de descobertas, protagonizadas por personagens infantis ou de algum modo ligadas a uma ideia de infância”.

“Descoberta do mundo, do tempo, do amor e, sobretudo, das potencialidades de uma língua fundada sobre o estranhamento e a liberdade do jogo criador — uma língua que ‘Primeiras Estórias’, interrogação radical e originalíssima do poder da literatura, nos ensina a aprender”, acrescenta.

“Primeiras Estórias” é o segundo livro publicado na coleção “Os melhores deles todos”, dirigida por Abel Barros Baptista e Clara Rowland, e dedicada à literatura brasileira, que arrancou em setembro com o lançamento de “Memorial de Aires”, de Machado de Assis.

De Guimarães Rosa foi reeditado em Portugal pela Companhia das Letras, em 2019, o romance “Grande Sertão: Veredas”, depois de ter estado esgotado durante vários anos.

Publicado originalmente em 1956, “Grande Sertão: Veredas” é um romance experimental modernista, considerado uma obra essencial da literatura, que revolucionou o cânone brasileiro e continua a despertar o interesse das novas gerações de leitores.

“Grande Sertão: Veredas” foi inicialmente pensado como uma das novelas do livro “Corpo de Baile”, lançado também em 1956, mas cresceu e ganhou autonomia, tendo-se tornado um dos mais importantes livros da literatura brasileira e lusófona.

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, estado de Minas Gerais, em 1908.

Médico, diplomata e escritor, os seus contos e romances ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro.

Numa entrevista de 1965, resumiu assim a sua biografia: “Sim, fui médico, rebelde, soldado. Foram etapas importantes de minha vida, e, a rigor, esta sucessão constitui um paradoxo. Como médico conheci o valor místico do sofrimento; como rebelde, o valor da consciência; como soldado, o valor da proximidade da morte...; e, para que isto não pareça demasiadamente simples, queria acrescentar que também configuram meu mundo a diplomacia, o trato com cavalos, vacas, religiões e idiomas”.

A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações linguísticas, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiram a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas.

Publicou “Sagarana” (1946), “Corpo de Baile” (1956), “Grande Sertão: Veredas” (1956), “Primeiras Estórias” (1962) e “Tutaméia” (1967).

Morreu subitamente aos 59 anos, três dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras, deixando vários inéditos.

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