“Gosto de fazer estas exposições porque são como que um ponto de obra (…) é como fazer uma ata de uma reunião e o resumo do que se passou. Portanto, esta exposição é como que uma ata destes 40 anos”, disse o arquiteto.

Souto de Moura, que falava aos jornalistas à margem da visita à mostra, adiantou que esta o ajudou muito “a refletir e a pensar sobre muitas coisas”, dando como exemplo as semelhanças entre alguns projetos seus.

“Acho que faço sempre a mesma casa e, no fundo, a arquitetura é sempre a mesma, mudam os tempos, mudam os materiais, mas a ideia de proteção e abrigo é sempre igual”, afirmou, adiantando que a repetição em alguns projetos é sinónimo de “aperfeiçoamento”.

Sob o título “Souto de Moura: Memória, Projetos e Obras”, a exposição, que integra 40 projetos do arquiteto, está dividida em dois espaços: na Nave, onde se encontram 34 projetos já finalizados, e na Galeria da Casa, um ambiente que visa reproduzir “a atmosfera do escritório do arquiteto”, e onde se encontram seis projetos em curso.

Durante a visita à Nave, que retrata obras construídas e outras não construídas, numa “sequência contrária”, ou seja, de trás para a frente no tempo, Souto de Moura foi falando com jornalistas sobre o projeto que mais o marcou: o Estádio Municipal de Braga.

“O estádio é a obra de que mais gosto e que está a ser amaldiçoada. Tive esta oportunidade de desenhar todo o território. É ambição dos arquitetos ir desde o puxador até quilómetros de desenho. Agora está a ser mal recebida, querem vendê-la, dizem que está a cair”, frisou.

Além do complexo desportivo, Souto de Moura considerou também a obra do Metro do Porto como uma das suas preferidas, uma vez que, ao “ser usado por muita gente”, o faz sentir-se “muito útil”.

“O que desenhei é usado por muita gente, numa escada do metro, o corrimão é tocado por meio milhão de mãos por dia, portanto, é agradável quando uma pessoa desenha uma coisa e pensa ‘estou a ajudar muita gente a subir e a descer'”, enfatizou.

Já na Galeria da Casa encontram-se os projetos em que o arquiteto está a trabalhar atualmente, como a Estação de São Bento ou até uma pequena casa que está a pensar construir no terreno da sua mãe.

O objetivo deste espaço é “mostrar às pessoas o processo que decorre até ao trabalho final”.

Souto de Moura garantiu aos jornalistas que aquele não se tornará no seu “espaço de trabalho”, mas que tenciona passar por lá, aos “sábados de manhã”, e até levar alguns clientes a verem as maquetes dos projetos.

A exposição “Souto de Moura: Memória, Projetos, Obras”, que tem como curadores Francesco Dal Co e Nuno Graça Moura, é inaugurada na sexta-feira e fica patente ao público, na Casa da Arquitetura, até setembro de 2020.

Para acompanhar e complementar a exposição, a Casa da Arquitetura tem agendadas, para os próximos 11 meses, várias atividades, desde ciclos de conferências e debate, a concertos e visitas guiadas à mostra.

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