Com peruca, barba e maquilhagem pesada, a cantora de 30 anos aparece no vídeo como um homem arrogante que salta de sucesso em sucesso graças ao seu privilégio de género.

Numa uma cena marcante, o personagem masculino criado por Swift, sentado no metro, abre as pernas para ocupar três espaços e aperta as mulheres que se sentam próximas dele, enquanto lê o jornal, fuma um charuto e atira as cinzas no chão e na carteira de uma senhora que está ao seu lado.

"Estou cansada de correr o mais rápido que posso / pergunto-se se chegaria mais rápido se fosse homem / E estou cansada de ser atacada de volta / Porque se eu fosse homem, seria o homem", canta Swift.

No final do vídeo, em tom de provocação, Swift aparece a realizar o videoclipe e pedir ao personagem masculino que repita a cena, mas tente parecer mais "sexy".

A cantora usa o videoclipe desta música do seu sétimo álbum, "Lover", para salientar que escreveu o guião, realizou o vídeo e atua nele, enquanto questiona os executivos da indústria da música — com quem luta publicamente desde junho de 2019 pela propriedade das suas músicas lançadas no passado.

Em determinado momento, no vídeo, o personagem masculino urina em pé contra uma parede onde aparecem pintados os nomes dos seus seis primeiros álbuns, ao lado de uma placa que diz "Perdidos. Se os encontrar, entre em contato com Taylor Swift".

Outro grafiti na parede tem um símbolo que proíbe 'scooters' [trotinetes]. Trata-se de uma indireta contra o magnata da indústria da música Scooter Braun. O que está em causa? A editora Big Machine, da qual a artista fazia parte até 2018, foi vendida a Braun. O problema é que a editora detém direitos sobre os primeiros seis álbuns da cantora. Swift tentou durante anos recuperar os direitos sobre estes discos, sem sucesso, e tem uma relação conturbada com Braun, que acusa de a ter sujeitado a bullying durante a sua carreira.

Swift é quem detém o álbum "Lover", lançado em parceria com a Universal, e prometeu regravar os seus álbuns anteriores para criar cópias da sua propriedade a partir de novembro deste ano, já que o seu contrato não permitia isso antes.

O vídeo é outro passo de Swift na sua luta pela independência e controlo da sua própria voz.

Nos últimos anos, Swift manifestou-se politicamente primeira vez, apoiando os candidatos democratas para o Tennessee, em 2018, e criticando o presidente Donald Trump.

No seu documentário da Netflix "Miss Americana", lançado recentemente, a cantora famosa por sucessos mundiais como "Shake It Off" conta como foi orientada para não falar sobre política, afim de evitar repercussões negativas e afastar fãs.

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