O teatro vai funcionar com uma lotação de apenas 50% da sua capacidade, mas o diretor artístico assegura que, se que fosse possível fazer uma ocupação plena dos assentos, “os espetáculos poderiam todos esgotar”, e aconselha mesmo o público a adquirir os ingressos para as peças “com maior antecedência”.

“Se, por um lado, só podemos usar metade da lotação, por outro, temos uma procura maior. Há uma grande avidez da parte do público para voltar aos teatros, o que é sinal de que o teatro é importante na vida das pessoas”, comentou Tiago Rodrigues em declarações à agência Lusa.

O encenador lembrou, além disso, que “a procura no TNDMII tem sido crescente” nos últimos anos, e a resposta do público na reabertura desta temporada está em linha com esse crescimento, que se sente pelos espetáculos em fase mais adiantada do ano e “já com muita procura”.

“O ‘Última Hora’, em outubro, uma comédia com Maria Rueff e Miguel Guilherme, entre outros, já tem imensa procura, assim como o ‘Eurovisão da Canção Filosófica’, no final de setembro. O TNDMII está a fazer todos os esforços para ser um lugar seguro, mas antecipem-se na compra dos bilhetes, porque há muitos que vão esgotar”, aconselhou o diretor artístico.

O início da temporada, devido à covid-19, tem um “sabor invulgar, como tudo o que está a acontecer”, mas Tiago Rodrigues revelou-se satisfeito com os “meses de muito trabalho sem que o público pudesse assistir” que permitiu programar “tudo o que estava previsto, mas também todos os espetáculos que não foi possível apresentar” devido à pandemia.

“São 45 espetáculos até ao próximo verão, com muita diversidade, uma oferta de excelência, recorrendo não só a grandes textos como também a novos textos. E esta abertura de temporada representa isso mesmo. Por um lado, ‘A vida vai engolir-vos’, sobre textos de referência de Anton Tchékhov; por outro lado, a compensar o recurso à grande biblioteca, temos ‘Aurora Negra’ [que se estreia na quinta-feira], um espetáculo escrito hoje, para os dias de hoje, com uma grande atualidade, criado por três artistas que querem falar da invisibilidade dos corpos negros nas artes performativas”, afirmou à Lusa o vencedor do Prémio Pessoa em 2019.

Perante um calendário tão preenchido, a programação internacional foi quase toda “empurrada para 2021″, na expectativa de que já seja mais tranquilo, com exceção da “‘Eurovisão da Canção Filosófica’, já em setembro, e de ‘All together’, em dezembro”, uma criação japonesa de Michikazu Matsune.

Depois, só em 2021 o TNDMII terá “a maioria dos internacionais” da temporada, onde se destaca a peça “Bajazet, considerando o Teatro e a Peste”, um texto sobre Jean Racine e Antonin Artaud, encenado por Frank Castorf, que só acontecerá “mais à frente [em 12 e 13 de março], porque seria mais seguro por causa da mobilidade” dos artistas e dos cenários.

“Também atrasámos [o calendário internacional] porque havia muita urgência em estrear as produções nacionais, nomeadamente o ‘Fake’, que estava prestes a estrear-se em março, quando tivemos de fechar por causa da pandemia, e que só virá em dezembro ao TNDMII mas, antes disso, estreia-se na Rede EUNICE”, assumiu Tiago Rodrigues.

A programação procura tentar “o mesmo que as pessoas, as famílias e as empresas estão a tentar”, que é “recuperar o tempo perdido”, mas, por outro lado, “sem perder a capacidade de colocar os olhos no futuro”.

Por isso, refere o diretor artístico, a “segurança do público, dos artistas e o cumprimento escrupuloso das regras das autoridades de saúde” são “fundamentais” para que o teatro possa ser parte ativa no “regresso a uma vida onde a criação artística tem um papel preponderante”.

Além da redução da lotação para 50% da sua capacidade total, o TNDMII está “a seguir todas as indicações da Direção-Geral da Saúde e das entidades competentes, no sentido de garantir a espetadores, artistas, técnicos e trabalhadores as condições necessárias” para que os espetáculos decorram em segurança, refere o teatro na sua página oficial.

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