É no Metropolitan Museum of Art, conhecido como The Met, que está Thérèse Dreaming, um quadro de Balthus datado de 1938. Nele vê-se uma menina recostada numa cadeira, de braços erguidos e juntos atrás da cabeça, de olhos fechados. Até aqui, nada que origine críticas. Mas a menina tem a saia levantada e as pernas ligeiramente abertas revelam as suas cuecas brancas.

Para milhares de pessoas, esta representação apresenta uma "imagem sexualizada" da criança e foi por isso que surgiu uma petição para remover o quadro da exposição, que pretende atingir um total de 9 mil assinaturas e conta, até ao momento, já com 8.752 apoiantes.

O quadro pertence à coleção permanente do museu e não é o único exemplo do pintor francês que retrata crianças de uma forma que pode ser considerada sexual. Em 2013, o Met dedicou-lhe a exposição “Balthus: Cats and Girls — Paintings and Provocations” ["Balthus: Gatos e Meninas — Pinturas e Provocações"].

Na petição, é referido que a exposição de 2013 incluía um aviso à entrada: "Algumas das pinturas nesta exibição podem perturbar alguns visitantes". Deste modo, considera-se que as obras de Balthus contém "referências pedófilas".

"É perturbador que o Met exiba com orgulho uma imagem assim. É uma instituição de renome e um dos maiores e mais respeitados museus de arte nos Estados Unidos. O pintor, Balthus, tem uma 'vaidade' notável com meninas na puberdade, e pode argumentar-se com firmeza que esta pintura romantiza a sexualização da criança", pode ler-se na petição de Mia Merrill.

"Considerando o atual clima em volta de alegações de abusos sexuais cada vez mais frequentes, ao mostrar este trabalho para as massas sem fornecer qualquer tipo de esclarecimento, o Met está, talvez involuntariamente, a apoiar o voyeurismo e a objetificação das crianças", continua a petição.

Contudo, é especificado que não há a intenção de "censurar ou destruir" a pintura, mas sim alertar o museu para a escolha das obras de arte mostradas.

Ao The New York Times, o diretor de comunicação do Met, Ken Weine, disse que "momentos como este fornecem uma oportunidade para a conversa, e a arte visual é um dos meios mais significativos que temos para refletir sobre o passado e o presente, encorajando a evolução contínua da cultura existente através de discussão informada e respeito pela expressão criativa", pelo que não está previsto tirar o quadro da exposição.

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