“Espero que uma manifesta preocupação da ONU [Organização das Nações Unidas] sobre a situação dos povos indígenas do Brasil possa repercutir dentro do Brasil, porque a situação jurídica e política das populações indígenas piorou muito de há um ano para cá. Agravou-se muito”, disse hoje Ailton Krenak em entrevista à agência Lusa em Lisboa, onde está para participar no ciclo “Questões indígenas: ecologia, terra e saberes ameríndios” do Teatro Municipal Maria Matos.

A ONU disse na quinta-feira estar preocupada com o “grave” ataque levado a cabo por proprietários de terras contra os índios da tribo Gamela, que ocupavam terrenos no Estado do Maranhão, no nordeste do Brasil.

Os ataques, levados a cabo por um grupo de 200 homens ligados aos agricultores locais, munidos de machados e armas de fogo, causaram 13 feridos.

Os índios da tribo Gamela afirmam que as terras, sobre as quais há um litígio, lhes foram doadas no período colonial, mas que eles foram expulsos a partir dos anos 1970 na sequência da expansão agrícola.

Desde 2015 têm vindo a ocupar novamente centenas de terras, o que deu lugar a confrontos com os produtores. Nesse ano, pelo menos 137 índios foram assassinados no Brasil, elevando a 891 o número de mortos desde 2003, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Para Ailton Krenak, a Constituição de 1988 é “muito positiva na afirmação dos direitos dos povos indígenas”, o problema está na aplicação da lei.

O líder indígena considera que “do ponto de vista da formalidade jurídica os povos indígenas têm os seus direitos territoriais assegurados, o que acontece é que o executivo que deveria implementar a Constituição está a agir claramente de maneira abusiva”.

“Tomara que essa atenção da ONU, do relatório sobre Direitos Humanos, tenha algum efeito, consiga de alguma maneira chamar a atenção das autoridades no Brasil”, disse.

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