"Eu acho que é importante perceber essa dimensão [de Mário Soares], e também é importante que a minha geração fale destes homens", afirmou Carlos Moedas em declarações aos jornalistas na sede nacional do Partido Socialista (PS), onde assinou um dos sete livros de condolências.

O comissário europeu responsável pela Investigação, Ciência e Inovação, chegou ao Largo do Rato, em Lisboa, pelas 10:20, onde foi recebido pela secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes.

"Para a nossa geração é importantíssimo contar a história, no futuro, aos nossos filhos, de quem foi Mário Soares e do que ele significou para Portugal e para a Europa", advogou Moedas.

O comissário vai estar hoje presente nas celebrações fúnebres do antigo Presidente da República Mário Soares, pelas 13:00, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, em representação de Jean-Claude Juncker.

Para o responsável europeu, o antigo chefe de Estado "representa a liberdade".

"E devemos ao doutor Mário Soares essa liberdade", vincou.

Questionado pelos jornalistas, o comissário salientou que "é verdade que fazem falta" vozes como a de Mário Soares na Europa, um "homem que acreditava na Europa solidária, numa Europa da solidariedade", e cuja falta será sentida.

"Esse é um dos princípios e pilares que mais hoje sentimos a falta na Europa", considerou, acrescentando que se manifesta ao nível da "solidariedade, muitas vezes, entre os países, […] tudo o que tem a ver com a crise dos refugiados, e noutras crises".

Em nome da Comissão Europeia, Carlos Moedas deslocou-se ao Rato para dizer que "são líderes como Mário Soares que fizeram essa Europa, e que foi realmente o pai de todos nós estarmos na Europa".

"E por isso aqui estou hoje, para prestar esta última homenagem a um grande homem, a um grande europeu, um homem que sempre acreditou na Europa, e isso para nós, europeus, ficará como uma marca de Mário Soares", apontou.

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira.

O corpo do antigo Presidente da República esteve em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos entre as 13:10 de segunda-feira e as 11:00 de hoje, depois de ter sido saudado por milhares de pessoas à passagem do cortejo fúnebre pelas principais ruas da capital com escolta a cavalo da GNR.

O funeral realiza-se hoje, pelas 15:30, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, após passagem do cortejo fúnebre pelo Palácio de Belém, Assembleia da República, Fundação Mário Soares e sede do PS, no Largo do Rato.

Antes, às 13:00, terá lugar uma sessão solene evocativa de homenagem nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, com intervenções da família, do Presidente da República, do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro, através de um vídeo gravado durante a visita de Estado de António Costa à Índia.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

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