Um total de 450 mil casos da doença foram declarados oficialmente no mundo, e o número de mortos superava os 20.600, a maioria na Europa, segundo um balanço feito pela AFP.

A Espanha juntou-se à Itália ao superar o número de mortos da China e os Estados Unidos são o país onde o contágio avança mais rapidamente.

A pandemia provocada pelo coronavírus "ameaça toda a humanidade", disse nesta quarta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançando um plano de resposta global, que vai até dezembro e que inclui doações de até dois bilhões de dólares.

Os mercados de ações recuperaram a nível global e os preços do petróleo subiram, diante da expectativa de que o Congresso americano aprove um pacote histórico de estímulo de 2 trilhões de dólares.

Com mais de 60 mil casos confirmados, os Estados Unidos são o terceiro país com maior número de infetados, atrás da China e Itália. O presidente Donald Trump espera que o país se consiga reativar em meados de abril, mas parece estar sozinho entre os líderes mundiais.

Cerca de 40% dos 7,8 bilhões de habitantes do planeta foram convocados a permanecer em casa. A maioria dos países e territórios, entre eles Índia, Argentina, França, Itália e Reino Unido, bem como muitos estados americanos, impuseram medidas de confinamento obrigatórias. O Panamá foi o mais recente a juntar-se a esta lista.

Outros países anunciaram hora de recolher, como o Chile e o Equador, bem como quarentenas e outras recomendações de distanciamento de pessoas. A França anunciou o lançamento da operação militar Resiliência, para contribuir com a luta contra a pandemia.

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin decretou feriado na próxima semana e propôs uma votação sobre reformas constitucionais polémicas.

As principais economias do G20 farão uma videoconferência de emergência amanhã, para discutir uma resposta global para a crise, bem como os 27 líderes da União Europeia, o novo epicentro da pandemia.

Na China, as restrições drásticas impostas por vários meses na província de Hubei, primeiro foco da pandemia, foram levantadas hoje. Não foi detetado nenhum caso de contágio local em 24 horas naquele país, mas foram registados 47 casos "importados" do exterior.

Com mais de 3.400 mortos, a Espanha tornou-se hoje no segundo país com mais vítimas mortais do novo coronavírus, à frente da China, com a qual fechou um contrato de 432 milhões de euros para adquirir material sanitário. A situação na capital espanhola piorou tanto que uma pista de gelo foi transformada numa morgue e o Exército está a desinfetar os lares de idosos.

A Itália, onde o número de doentes desacelerava, continua a ser o país mais afetado pela pandemia, com 7.503 mortos, sendo que 683 ocorreram nas últimas 24 horas. Espanha e Itália uniram-se à França e a outros seis países da UE para pedir à Alemanha e a Holanda que permitam a emissão de bónus europeus para estabilizar a economia da Zona Euro.

O número de doentes também aumentou no Oriente Médio, onde mais de 2 mil pessoas já morreram no Irão e na África, onde Mali registou o primeiro caso e vários países anunciaram estado de emergência.

No Reino Unido, o príncipe Charles, 71, ficou infetado, mas, segundo um comunicado oficial, "permanece com boa saúde". No Japão, o governador de Tóquio alertou para uma possível explosão de infetados neste fim de semana. A Colômbia, terceiro país mais populoso da América Latina, iniciou um confinamento obrigatório de 19 dias, para conter o avanço da doença.

Já o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo para se "manter os empregos e preservar o sustento das famílias". No Brasil, as deficiências no sistema de saúde, a pobreza e as condições insalubres em que vive boa parte da população, ameaçam agravar a epidemia na maior economia da América Latina.

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