O número de mortos no incêndio que atinge Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria desde sábado aumentou para 62, disse hoje a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

O balanço anterior era de 61 vítimas mortais, e tinha sido feito pelo primeiro ministro António Costa, e que corrigia os números do secretário de Estado Jorge Gomes, que davam conta de 62 mortos.

Esta manhã, Jorge Gomes, visivelmente emocionado,  deu conta dos números de vidas tomadas pelo terrível incêndio, apontou os locais em que foram encontradas as vítimas mortais, na Estrada Nacional 236.1, que faz a ligação ao Itinerário Complementar (IC) 8.

"Foram encontradas 30 pessoas em viaturas e 17 fora das viaturas ou nas margens da estrada e em ambiente rural foram encontradas 10 vítimas mortais", disse no ponto de situação aos jornalistas por volta das 10h00.

De acordo com a informação divulgada na página na Internet da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), as chamas que deflagraram cerca das 14:45 de sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, mobilizavam às 22:15 de hoje 880 operacionais e 275 veículos.

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Neste momento, na Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande está instalado um ponto de acolhimento e de informação onde estão elementos da Segurança Social que prestam "toda a ajuda, apoio e esclarecimentos possíveis".

O secretário de Estado da Administração Interna sublinhou ainda que não há agora nenhuma localidade em risco.

O incêndio deflagrou ao início da tarde de sábado no concelho de Pedrógão Grande e alastrou-se aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que o incêndio terá sido causado por trovoadas secas, salientando, no entanto, que "é prematuro tirar ilações" sobre o que aconteceu.

Prioridade tem de ser dada ao combate ao incêndio e identificação das vítimas, diz António Costa

“Chegará o momento de apurar o que aconteceu”, afirmou António Costa, à entrada de uma reunião na Câmara Municipal de Pedrógão Grande (distrito de Leiria), salientando que sábado foi “um dia de risco, com mais de 156 incêndios”.

Para o primeiro-ministro, a prioridade tem de ser dada ao combate aos incêndios que estão ativos e à identificação das vítimas, tendo referido: “não só as encontradas, como as que porventura ainda iremos encontrar”.

O chefe do executivo salientou ainda que existem zonas do terreno ainda inacessíveis devido ao incêndio que continua a lavrar com violência.

Por outro lado, destacou, há outras prioridades atualmente como prevenir o que poderá acontecer este domingo à tarde – com previsões de condições climatéricas semelhantes às de sábado –, e começar a trabalhar com os presidentes de Câmara.

“É isso que venho aqui fazer, para começar a dar a resposta às populações em termos de alojamento de emergência, em termos de assegurar rendimento, restabelecimento das produções e infraestruturas”, afirmou António Costa, que será acompanhado nesta reunião pelo secretário de Estado da Segurança Social, pelo ministro da Agricultura e pelo ministro do Planeamento.

O primeiro-ministro aproveitou a ocasião para agradecer as manifestações de solidariedade que tem recebido por parte de toda a Europa e referir que já falou pessoalmente com todos os líderes partidários, para lhes disponibilizar a informação que o Governo possui.

“Quero sublinhar o grande sentido de unidade nacional com que o país está a enfrentar esta tragédia, de que não temos felizmente memória e para a qual temos de estar à altura de saber responder”, disse.

Novamente questionado sobre as causas do incêndio, António Costa repetiu que “chegará o momento de os técnicos apurarem o que aconteceu”.

“Concentremo-nos no que está ao nosso alcance”, apelou, antes de entrar para a reunião.

Governo decreta três dias de luto nacional

Em comunicado, o Governo adianta que este decreto foi aprovado "fazendo uso da faculdade de deliberação eletrónica prevista nos termos do Regimento do Conselho de Ministros".

O decreto, lê-se no comunicado, "produz efeitos a partir do dia 18 de junho de 2017 [este domingo] e entra imediatamente em vigor".

Polícia Judiciária afasta origem criminosa de incêndio

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) afirmou este domingo à Lusa que o incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande teve origem numa trovoada seca, afastando qualquer indício de origem criminosa.

“A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio”, disse Almeida Rodrigues.

"Conseguimos determinar que a origem do incêndio foi provocada por trovoadas secas”, tendo sido a partir daí que o fogo se propagou, explicou o diretor nacional da PJ.

Aviões espanhóis chegaram e franceses esperados durante a tarde

Dois aviões ‘Canadair’ espanhóis já estão empenhados no combate ao incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e durante a tarde deste domingo deverão chegar três meios aéreos franceses, disse a Proteção Civil.

Fonte da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) afirmou à agência Lusa que é possível que Espanha envie “mais um ou dois” destes meios aéreos para ajudar no combate ao fogo, acrescentando que durante a tarde, deverão chegar ao teatro de operações mais dois ‘Canadair’ e um meio aéreo, estes três vindos de França.

[Última atualização às 23h18]

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