"A decisão mais difícil foi a meio do meu mandato, quando dei a ordem para o envio de 30.000 soldados adicionais ao Afeganistão, tendo noção de que fiz campanha para acabar com o envio maciço de tropas ao exterior", declarou Obama durante uma entrevista à cadeia de televisão americana ABC exibida neste domingo.

"Penso que foi uma boa decisão, já que os talibãs estavam em ascensão antes de eu assumir o cargo, em parte porque não nos interessávamos o suficiente pelo Afeganistão como deveríamos ter nos interessado", disse Obama.

"Por acaso está decepcionado, após oito anos, com o facto de os soldados americanos estarem presentes não apenas no Afeganistão, mas também no Iraque?", questionaram os jornalistas. "Sim, mas aprendi que, na guerra contra o terrorismo, nunca teríamos o mesmo tipo de vitória decisiva e permanente como se obtém em guerras contra países", assinalou o presidente americano.

"Mesmo depois de dizimar a Al-Qaeda e de termos eliminado Bin Laden, ainda há pessoas com vontade e capacidade para golpear os Estados Unidos se não nos mantivermos vigilantes", acrescentou.

Para o presidente americano, a fragilidade de certos países, como o Iraque e o Afeganistão, torna necessária a presença de tropas americanas. Atualmente, há mais de 5 mil soldados americanos no Iraque e 8400 no Afeganistão."Mas já não estamos tão presentes e há menos riscos de que sejamos atacados como potência ocupante", concluiu Obama.

Obama reconhece ter "subestimado" impacto da pirataria informática russa

Na mesma entrevista, o presidente dos Estados Unidos reconheceu ter "subestimado" o impacto da pirataria informática nas democracias atuais, dias depois de os serviços secretos americanos terem revelado ingerências da Rússia nas eleições presidenciais ganhas por Donald Trump, mas rejeitou, no entanto, ter subestimado o seu homólogo russo, Vladimir Putin.

"Mas penso que subestimei a forma como é possível, nesta nova era da informação, desinformar, estes ataques informáticos terem um impacto nas nossas sociedades abertas, insinuando-se nas nossas práticas democráticas", declarou Barack Obama.

Segundo os serviços de informações norte-americanos foi Putin quem orquestrou a campanha de ataques informáticos e de manipulação dos media para favorecer a eleição de Donald Trump em detrimento de Hillary Clinton. O Kremlin desmente qualquer envolvimento na campanha de pirataria informática descrita pelos serviços de espionagem norte-americanos.

Obama, que na terça-feira profere em Chicago o seu discurso de despedida da Casa Branca, realçou que vários países aliados dos Estados Unidos no âmbito da NATO - entre os quais a França - vão realizar eleições dentro de poucos meses.

"Devemos todos estar vigilantes", alertou o chefe de Estado norte-americano.

Um relatório publicado na sexta-feira pelos serviços de informação norte-americanos indicou que o objetivo da campanha russa de desinformação e de pirataria (que incluiu os e-mails de elementos da campanha democrata) seria o de minar o processo democrático norte-americano, fragilizar Hillary Clinton caso chegasse a presidente e aumentar as hipóteses de vitória do milionário Donald Trump.

A publicação no Wikileaks de milhares de e-mails roubados ao mais próximo conselheiro de Hillary afetou a sua candidatura durante semanas. Segundo Washington, os serviços secretos russos foram a fonte do Wikileaks, algo que o fundador do portal, Julian Assange, negou.

"Não necessitamos do Wikileaks para convencer os americanos que eles não gostavam dela (Hillary Clinton), que não confiavam nela ou que não achavam que ela era honesta", insistiu hoje Kellyanne Conway, antiga chefe de campanha e conselheira do presidente eleito.

Trump é "muito charmoso e sociável"

Sobre a sua relação com Trump, Barack Obama disse que as reuniões recentes com o milionário foram "cordiais". "Ele mostrou-se aberto a ouvir sugestões", disse Obama sobre Trump, descrevendo-o como "muito charmoso e sociável".

Ainda assim, o 44.º presidente dos Estados Unidos advertiu o seu sucessor de que há diferenças entre conduzir uma campanha presidencial e governar e que este "não poderá gerir a presidência da mesma forma como gere uma empresa familiar".

Barack Obama referiu ainda que Donald Trump "não dedicou muito tempo a divulgar os detalhes" sobre as suas políticas, algo que é ao mesmo tempo "uma força e uma fraqueza".

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