“O princípio ‘Uma só China’ constitui a base política das relações China — EUA”, disse Wang, num discurso realizado na sede da organização não-governamental Asia Society, em Nova Iorque, de acordo com uma transcrição divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

“A questão de Taiwan está a tornar-se no maior risco para as relações China – EUA. Se for mal gerida, vai provavelmente arruinar os laços bilaterais”, frisou.

Wang acrescentou que o projeto de lei Taiwan Policy Act, que prevê uma ampliação do apoio militar norte-americano a Taiwan em 6,5 mil milhões de dólares, ao longo dos próximos cinco anos, “ameaça a fundação das relações China – EUA”.

As relações entre Pequim e Washington atravessam o pior período das últimas décadas. No início de agosto, a visita a Taiwan da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, gerou fortes protestos por parte do Governo chinês, que considerou a viagem uma provocação.

A China lançou então exercícios militares em torno da ilha, numa escala sem precedentes.

Membros do Congresso e do Senado dos EUA continuaram a visitar Taiwan nas semanas seguintes, visando fortalecer os laços com as autoridades de Taipé.

O Taiwan Policy Act inclui ainda uma proposta para a primeira grande reestruturação da abordagem de Washington em relação à ilha, desde que rompeu relações com Taipé e passou a reconhecer Pequim como o único Governo legítimo de toda a China, em 1979.

O projeto de lei refere que “Taiwan vai ser tratado como um grande aliado (…) conforme definido na secção 644(q) da lei de assistência externa de 1961, para fins de transferência ou possível transferência de artigos de Defesa ou serviços de Defesa, sob a lei de controlo de exportação de armas”.

Especialistas consideram que a aprovação da lei pelo Congresso norte-americano colocaria em risco a política “Uma só China”.

Wang criticou ainda os pedidos para que Taiwan participe como membro das Nações Unidas.

“Uma vez que o Governo da República Popular da China é reconhecido como o único Governo legal que representa toda a China, Taiwan não deve ser autorizada a ingressar em nenhuma organização internacional com implicações soberanas”, apontou.

“Se alguém reconhece o princípio ‘Uma só China’, não se deve envolver em intercâmbios oficiais com Taiwan. A lógica aqui não podia ser mais simples”, acrescentou o ministro chinês.

Wang Yi também responsabilizou o Partido Democrático Progressista de Taiwan pelo agravamento da relação entre Pequim e Taipé e enfatizou repetidamente que Taiwan não é um país e que faz parte da China.

“Os EUA devem escolher ficar do lado certo da história”, realçou.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo Governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Pequim considera Taiwan parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso a ilha declare formalmente a independência.

Wang enfatizou que Pequim não quer conflitos e opõe-se à ideia de que os EUA e a China estão em competição.

“A nossa expetativa mais básica para as relações China – EUA é que os dois países vivam um com o outro em paz”, argumentou. “À medida que a China se desenvolve, algumas pessoas começam a projetar a China como um inimigo hipotético (…) Isso é sinal de ansiedade excessiva e é completamente desnecessário”, argumentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros também criticou os EUA por encorajarem os seus aliados a formar “pequenos círculos” que “excluem” a China, como a aliança para a indústria dos semicondutores com a Coreia do Sul, Japão e Taiwan, conhecida como “Chip 4”.

“Uma verdade infalível nas interações China – EUA é que os dois países ganham com a cooperação e perdem com o confronto”, disse.

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