Por entre as milhares de fotos partilhadas nas redes sociais na quarta-feira passada que espelharam o horror de uma capital em alerta, após o ataque em Westminster, Londres, uma discussão emergiu a partir de uma delas.

Na imagem pode ver-se uma senhora com uma hijab, passando ao lado de uma das vítimas do ataque que se encontra rodeada por várias pessoas que a assistiam. A mulher muçulmana segurava o telemóvel e olhava para o que se passava ao seu lado. A internet olhou para a foto e fez surgir a questão: a mulher estava indiferente ou perturbada?

A discussão atingiu uma dimensão tal que Jami Lorriman, o fotógrafo responsável por ter captado aquele momento, viu-se na obrigação de vir a público esclarecer aquilo que viu, sublinhando que a senhora estava visivelmente"horrorizada" e "perturbada".

Ainda assim, a mulher decidiu dar voz própria ao sucedido, dizendo-se "chocada e consternada" pelo "debate" que a sua imagem criou nos media e internet.

Utilizando a organização Tell Mama, que atua sobre os ataques com a comunidade muçulmana no Reino Unido, para falar anonimamente, a mulher disse-se devastada "por testemunhar as consequências de um ataque terrorista chocante" e ainda por ter de lidar com as partilhas da sua imagem por aqueles que não conseguem olhar para lá da sua roupa e que "traçam conclusão baseadas no ódio e na xenofobia".

No mesmo relato pode ler-se que a mulher estava a segurar o telemóvel porque se preparava para ligar à família a dizer que estava tudo bem consigo, e que ofereceu ajuda às pessoas com que se cruzou, manifestando que, naquele momento, os seus pensamentos eram de "tristeza, medo e preocupação".

Na quarta-feira, um atacante atropelou várias pessoas na ponte de Westminster, embateu na grade do parlamento, abandonou a viatura e correu para o edifício, onde esfaqueou um agente da polícia.

Quarenta pessoas ficaram feridas, e quatro morreram no ataque: Aysha Frade, 43 anos, britânica de origem espanhola casada com um português, um polícia, Keith Palmer, 48 anos, um outro homem, civil, de 40 a 50 anos, e o atacante.

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