A diretora de missão Emily Penn – cuja embarcação tem a bordo apenas mulheres, e chegou hoje a Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, na primeira paragem do navio, que zarpou de Plymouth, na Inglaterra – declarou à agência Lusa que “um dos grandes objetivos do projeto é desenvolver pesquisa científica” para “realmente compreender-se de onde vem o plástico e como se pode evitar que chegue ao mar, a partir de terra”.

A embarcação vai realizar uma jornada de 38.000 milhas náuticas, sendo que a viagem de volta ao mundo tocará alguns dos ambientes marinhos mais importantes e diversos do planeta, o que irá obrigar a atravessar quatro dos cinco giros oceânicos, onde se sabe que o plástico oceânico acumula-se, e o Ártico.

Emily Penn refere que a segunda meta da missão – composta por várias equipas ao longo de dois anos, no total de 300 mulheres – é explicar que 70% do planeta é constituído pelo mar, sendo o terceiro objetivo “construir uma comunidade de fazedores de opinião”, através das pessoas que aderiram ao projeto, para o qual submeteram candidatura 10 mil mulheres.

Espera-se que estas mulheres tenham “impacto depois quando regressarem a casa, ao seu país, à sua esfera de influência”, visando resolver o problema global da poluição por via do plástico.

A bordo de expedição segue uma equipa de cientistas, no âmbito da parceria estabelecida com a Universidade de Plymouth, mas também pessoas de todas as áreas e nacionalidades, como cineastas, artistas, professores, ‘designers’, entre outros, uma vez que “não há uma única via para resolver este problema”.

Para Emily Penn, a verdadeira transformação no uso do plástico começa na vida de cada um e nas suas rotinas, eliminando-se sacos, palhinhas, lancheiras dos filhos, entre outros elementos “com os quais se pode passar sem” nas residências e locais de trabalho.

A “eXXpedition Round the World” é, segundo os seus promotores, uma “oportunidade única para realizar pesquisas de ponta em plásticos oceânicos” e descobrir que plástico está a ser mal administrado e a terminar no oceano e, portanto, como resolvê-lo em terra.

Nos Açores, no âmbito de atividades com a população, os elementos da missão vão estar no Centro de Ciência Viva Expolab para sensibilizar para a problemática, promover um levantamento e ação de limpeza de lixo e visitar uma superfície comercial local para apontar alternativas ao uso do plásticos.

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