"Conheci-o desde muito jovem, já depois de formados ambos. Há uma qualidade que sempre manteve ao longo de toda a vida, primeiro uma verdadeira devoção ao interesse do país como ele o concebia e, por isso, sacrificou muito da sua vida.

Era como político uma pessoa muito confiável e o que sustentava em termos de opinião era por convicção. E por isso teve de pagar um preço difícil até ao 25 de Abril, designadamente a estadia de São Tomé. Mas em São Tomé foi tratado como uma consideração enorme e fora do vulgar, porque já então inspirava respeito.

Do ponto de vista político deixa um trajecto notável e, sobretudo, a sua intervenção não foi apenas na constitucionalização do regime, mas na forma exerceu o cargo de presidente. As presidências abertas e a interpretação que deu ao papel de presidente, aproximando o presidente da população, marcou e mudou para sempre essa relação.

A adesão à Europa foi outra das suas responsabilidades. Morre desgostoso com a evolução da União Europeia e as dificuldades por que passa, tenho a certeza. A última vez que o vi foi em casa dele, já ele muito doente e já depois da morte da sua mulher, uma figura notável. Morreu inquieto com a evolução e a crise europeia em que estamos a participar.

Mário Soares, definitivamente, entrou na História de Portugal.”

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