“Tentou pormenorizar de tal maneira que nenhuma a pergunta deixasse de dar resposta. Perguntas de ninguém”, disse Germano Marques da Silva aos jornalistas após mais de sete horas de interrogatório do ex-ministro e arguido no processo sobre o roubo e posterior recuperação de armas dos paióis da base militar de Tancos.

No final, o advogado disse que saía satisfeito da diligência porque se tentou “esclarecer o que foi colocado no Requerimento de Abertura de Instrução”.

Questionado sobre se Azeredo Lopes tinha admitido ao juiz que soube antecipadamente da “farsa” da recuperação das armas, o advogado negou perentoriamente.

“Não disse sequer que tinha conhecimento do que quer que fosse”, afirmou o defensor, adiantando que o ex-ministro apenas disse que “depois de terem sido encontradas as armas, teve conhecimento de várias coisas que aconteceram pelo chefe de gabinete”. Germano Marques da Silva não adiantou que coisas eram essas que o então chefe de gabinete, Martins Pereira, disse ao ministro.

Questionado sobre se falou na audiência sobre ter conhecimento da realização de uma chamada anónima a indicar o local onde estaria o armamento de Tancos, que foi encontrado na Chamusca, o advogado contextualizou o que foi referido na sala, dizendo que o ministro falou da situação, mas quando esta já era do conhecimento da então procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, defendendo que não havia nada para denunciar.

Após terminar o interrogatório, Azeredo Lopes divulgou um comunicado a reafirmar que “nunca soube de qualquer encenação da entrega de armamento”.

“Se isso me tivesse sido comunicado, imediatamente teria participado às entidades competentes; jamais encobriria qualquer crime, fosse em nome do que fosse”, afirma o ex-ministro no documento.

O ex-ministro de defesa justifica a emissão do comunicado a reiterar a sua posição com “notícias falsas publicadas hoje”, contrapondo que “é falso, rotundamente falso, que hoje, de alguma forma, direta ou indiretamente, eu tenha, no meu depoimento na instrução do chamado processo Tancos, "confessado" ou "admitido" que tinha conhecimento da ´encenação´ ou ´farsa´ de Tancos”.

A defesa do ex-diretor da Polícia Judiciária Militar e arguido Luís Vieira também saiu satisfeita com o que foi respondido pelo ex-ministro.

“Naquilo que é a defesa do coronel Luís Vieira gostámos muito de como correu, porque foi importante e veio levantar várias questões que já tínhamos levantado. Está provado que a acusação é frágil”, afirmou o advogado Rui Baleizão.

Também para defesa do investigador e ex-porta-voz da PJM major Vasco Brasão o depoimento de Azeredo Lopes “correu bem”.

“Esta inquirição veio confirmar o que outras inquirições já tinham confirmado, isto é, a questão do memorando e de quem falou ou deixou de falar, Vasco Brasão falou verdade”, disse o advogado Ricardo Sá Fernandes, numa alusão aos interrogatórios de Martins Pereira e de Luís Vieira.

Segundo a acusação do MP, a recuperação do armamento furtado dos paióis de Tancos, em junho de 2017, deve-se a um “verdadeiro pacto de silêncio entre Azeredo Lopes e os arguidos da GNR, PJM e que todos criaram sérios obstáculos à descoberta da verdade material”.

Azeredo Lopes demitiu-se do cargo em 12 de outubro de 2018.

Nove dos 23 arguidos do processo de Tancos são acusados de planear e executar o furto do material militar e os restantes 14, entre eles Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

O inquérito de Tancos investigou o furto, em 28 de junho de 2017, e as circunstâncias em que aconteceu a recuperação de grande parte do material militar, em 18 de outubro do mesmo ano.

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