O centro de ajuda humanitária e de socorro do rei Salman (KSRelief) encaminhou mais de 65 toneladas de bens diversos, incluindo 1.647 cabazes alimentares, noticiou a agência oficial Spa.

No total, seis aviões serão fretados para encaminhar 197 toneladas de ajuda para o Afeganistão, indicou o responsável do KSRelief, Abdallah al-Rabeeah.

Cerca de 200 camiões de ajuda serão igualmente enviados a partir do Paquistão, acrescentou.

Numa cimeira na terça-feira em Riade, as monarquias árabes do Golfo Pérsico comprometeram-se “a mobilizar os esforços internacionais para fornecer ajuda humanitária ao povo afegão e melhorar a sua situação económica”.

Mais de metade dos 38 milhões de afegãos enfrentam escassez alimentar “severa”, segundo a ONU, tendo o inverno obrigado milhões deles a escolher entre a migração e a fome.

O anterior Governo talibã, entre 1996 e 2001, impôs uma interpretação rígida das leis islâmicas, e a Arábia Saudita foi, na altura, um dos três países que, juntamente com os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão, reconheceram o seu regime.

Os talibãs regressaram ao poder em Cabul em meados de agosto deste ano, aproveitando a retirada militar dos ocidentais e a queda do Governo afegão por eles apoiado, após 20 anos de guerra sangrenta.

Os Estados Unidos, que não reconhecem o Governo talibã, introduziram exceções no regime de sanções imposto ao Afeganistão para permitir o envio de ajuda.

E, em busca da ajuda internacional, os líderes talibãs estão a tentar mostrar-se, em alguns aspetos, um pouco mais moderados.

Por exemplo, autorizaram a realização hoje de uma manifestação de mulheres na capital afegã, tendo dezenas delas desfilado pela cidade exigindo o direito à educação, ao trabalho e à representação política.

“Comida, carreiras, liberdade!”, repetiram algumas manifestantes, enquanto outras brandiam cartazes exigindo o acesso das mulheres a cargos políticos.

Apesar de as manifestações terem sido proibidas pelos novos governantes do Afeganistão, as autoridades permitiram a realização desta marcha, que decorreu num dia de frio cortante, após as primeiras quedas de neve.

Algumas mulheres empunhavam cartazes fazendo eco das queixas dos talibãs, que lamentam que a comunidade internacional tenha congelado milhares de milhões de dólares de ajuda e de fundos.

Embora tenham obtido o direito de se manifestarem hoje, algumas participantes no protesto afirmaram continuar a temer os novos dirigentes do país.

Num cruzamento, combatentes talibãs carregaram as suas espingardas e brandiram-nas, mas a marcha foi autorizada a prosseguir.

“O medo existe sempre, mas não podemos viver com medo. Devemos lutar contra o nosso medo”, afirmou uma das manifestantes, Shahera Kohistan, de 28 anos.

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