Doze laboratórios especializados e regionais de referência irão integrar a rede que fornecerá serviços de sequenciação do coronavírus da síndrome respiratória aguda severa 2 (SARS-CoV-2), análise de dados e outros serviços de apoio técnico aos países africanos.

“Enquanto continuamos a enfrentar a pandemia da covid-19 em África, ser capaz não só de acompanhar a sua evolução, mas também de avaliar a possível mutação do vírus é crucial para uma resposta eficaz”, disse Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África.

Apesar de a nova rede laboratorial ser dedicada à sequenciação do genoma do vírus da covid-19, a responsável da OMS destacou também o seu papel no desenvolvimento de vacinas e tratamentos adaptados aos africanos.

De acordo com a OMS, a sequenciação em curso está já a fornecer “informação crucial” para determinar o tipo de SARS-CoV-2 que circula nalguns países, tendo demonstrado que a maioria dos genomas que circulam em África são atribuídos à estirpe que emergiu da epidemia na Europa.

Dados já conhecidos indicam que, em África, foram identificadas dez estirpes do vírus, tendo sido produzidas mais de 80.000 sequências a nível mundial.

O agrupamento de vírus de diferentes países na mesma estirpe ou sub-estirpe indica uma ligação ou importação de vírus entre países.

Países como a República Democrática do Congo (RDCongo) e a África do Sul estão a sofrer uma transmissão localizada, enquanto que na RDCongo há também importação de casos do Gana, Marrocos e Senegal, adianta a OMS.

“A criação da rede de sequenciamento covid-19 ajudará a melhorar a vigilância no continente e os países a gerirem e a controlarem eficazmente a pandemia”, defendeu, por seu lado, o diretor do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (Africa CDC), Jonh Nkegasong.

“Dado que a curva pandémica covid-19 se achata em África, temos de estar preparados para um possível ressurgimento, como já foi observado em alguns países. Com a sequenciação genómica podemos ter uma melhor compreensão da pandemia através de uma identificação mais precisa dos focos de transmissão”, acrescentou.

A OMS e o África CDC estão a fornecer aos países africanos equipamento de sequenciação, reagentes e apoio técnico para acelerar a sequenciação do SARS-CoV-2 em África.

Neste contexto, foram já geradas 2.016 sequências de 18 países – Argélia, República do Benim, Camarões, República Democrática do Congo, Egito, Gâmbia, Gana, Quénia, Madagáscar, Mali, Marrocos, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, África do Sul, Tunísia, Uganda e Zâmbia.

África registou desde o início da pandemia um total de 1.321.736 casos de covid-19, que causaram 31.902 mortes no continente, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

Mais de um milhão de doentes recuperaram da doença.

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