No dia 19 de janeiro, Cláudia Simões, de 42 anos, foi detida numa paragem de autocarro, na Amadora, depois de um desentendimento com o motorista do autocarro - que foi agredido uma semana depois - supostamente porque a filha não transportava o passe.

Segundo o relato de Cláudia Simões, o motorista chamou um agente da PSP que ali passava, tendo sido abordada “agressivamente” e o seu telemóvel atirado para o chão.

A mulher, que, entretanto, foi constituída arguida e sujeita à medida de coação de termo de identidade e residência, foi indiciada do crime de resistência e coação sobre agente da autoridade.

Cláudia Simões contou que sofreu agressões num carro da PSP, onde garante ter sido esmurrada e alvo de ofensas verbais antes de ser assistida no Hospital Fernando Fonseca, na Amadora.

No dia 20 de janeiro, a PSP anunciou a abertura de um processo de averiguações na sequência da denúncia apresentada pela mulher contra o polícia.

Também o ministro da Administração Interna (MAI) ordenou a abertura de um inquérito sobre a atuação policial no caso da detenção de Cláudia Simões, que resultou numa denúncia contra o polícia de serviço.

A organização SOS Racismo recebeu “uma denúncia de violência policial contra a cidadã portuguesa negra”, indicando que a mulher ficou “em estado grave”, resultado das agressões que sofreu na paragem de autocarros e dentro da viatura da PSP em direção à esquadra de Casal de São Brás, na Amadora.

Na sua tomada de posse, o novo diretor nacional da PSP, Magina da Silva, afirmou aos jornalistas que aquilo que viu no vídeo foi “um polícia a cumprir as suas obrigações e as normas que estão em vigor na PSP”, não tendo visto “qualquer infração”.

Vários partidos já pediram esclarecimentos ao MAI sobre a atuação policial nesta situação, entre os quais o Bloco de Esquerda, que questionou o Governo sobre se tem conhecimento da destruição de imagens da videovigilância no caso das agressões e “que diligências” fará para “recuperar as imagens apagadas”.

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