Maria Augusta tem 71 anos, é viúva e vive sozinha numa casa que dista cerca de 150 metros da antena da rede móvel 3G e ‘wi-fi' instalada na antiga escola primária da aldeia, no coração da Serra d'Arga. Não tem, nem sabe utilizar um computador. O acesso à internet "não lhe faz diferença" mas assinala, satisfeita, a facilidade com que passou a fazer as chamadas de voz, através do telemóvel, para os filhos, que vivem em Lisboa.

"Antigamente tinha falhas e não podia falar em casa. Tinha que ir para o alto, junto à antiga escola primária para falar com eles. Agora, até na cama consigo falar ao telemóvel", afirma, exibindo o aparelho oferecido pelos filhos.

"Só o utilizo para fazer ou receber chamadas. Não sei nada dessas coisas da internet", refere. Maria Augusta também tem telefone fixo mas anda sempre com o telemóvel no bolso "não vá acontecer alguma coisa” e precisar de comunicar com os filhos.

Arga de Baixo, juntamente com Arga de Cima e Arga de São João, formam uma União de Freguesias, um território de 31 quilómetros quadrados com pouco mais de duas centenas pessoas, sendo que apenas uma dezena são crianças e jovens.

A instalação de rede móvel 3G e ‘wi-fi', que vai abranger ainda freguesia vizinha de Dem, é um projeto orçado em 40 mil euros, vencedor da primeira edição do Orçamento Participativo (OP) lançado, em 2015, pela Câmara de Caminha, no distrito de Viana do Castelo.

A primeira fase começou dias antes do último Natal. Os trabalhos deverão estar terminados no verão quando a rede cobrir as quatro aldeias.

Célia Pires ainda diz que ainda não sentiu o impacto do projeto porque o lugar onde vive “ainda não é coberto pela rede". No entanto, reconhece "as vantagens" das novas tecnologias que vão colocar àquela aldeia de montanha, "mais próxima de tudo".

Com 30 anos, Célia ocupa os dias entre as lides domésticas e o trabalho no campo. Para navegar na internet, para já, utiliza "a rede fixa de casa".

Cátia Amorim, de 40 anos, vive próxima da antena instalada no edifício da antiga primária mas admite que, o acesso à internet nem sempre é fácil.

"Tem dias que é rápido e outros não. Depende também do tempo e não nos podemos esquecer que vivemos na serra", afirma, admitindo a alternativa "é a internet fixa de casa".

"No verão todas as freguesias vão estar ligadas à internet"

Ventura Cunha, presidente da União de Freguesia das Argas e um dos autores do projeto admite que "a cobertura está longe" da prevista mas avança que "no verão todas as freguesias vão estar ligadas à internet".

"No verão, a população da Serra D'Arga mais do que duplica. As pessoas naturais da Serra d'Arga que estão fora vêm passar férias e há também muitos visitantes. Nessa altura, quando o sistema estiver a funcionar em pleno, é que se vai notar a diferença", assegura Ventura Cunha.

O autarca realça, no imediato, a "importância" da melhoria das comunicações na rede móvel, agora "com muita cobertura de rede", sublinhando as vantagens sobretudo ao nível da prestação de socorro quer à população, quer aos muitos utilizadores dos percursos pedestres existentes na serra.

"Já se perderam pessoas na serra e tiveram muita dificuldade em comunicar com a Proteção Civil", explica o autarca que, na elaboração do projeto, contou com o apoio do presidente da Assembleia de Freguesia.

Ventura Gonçalves, funcionário da Câmara de Caminha e o responsável pelo Centro de Interpretação da Serra d'Arga, diz que "agora já não há desculpas para deixar de falar ao telemóvel e, "com mais ou menos velocidade", para aceder à internet.

"Nasci em Arga de Baixo. Já estive em Lisboa e conheço o país de norte a sul, mas como este cantinho não há. Longe de tudo, mas perto de tudo e agora ligado a tudo", reforça, destacando a “importante melhoria” para as freguesias da serra, por acabar com o isolamento em termos de comunicações, e por abrir, em simultâneo, novas possibilidades às populações daquela zona do concelho".

"No verão, quando todos os que estão fora regressarem para matar saudades da família, do rio, da montanha e das festas é que vão sentir a diferença. Até agora, praticamente não existia rede móvel. Não se conseguia comunicar", regista.

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