Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, a AHRESP diz "não concordar com medidas tomadas de forma precipitada e que têm como base um desconhecido racional científico" e diz estar disponível para "em colaboração com o Governo" participar na educação dos consumidores.

"O consumo de carne de bovino, ou de qualquer outra proteína animal - cuja produção deve ser controlada, segura e sustentável - deve ser sempre moderada e seguir as regras do equilíbrio nutricional. O que importa é a quantidade, a forma e a frequência com que se come", lê-se na nota da AHRESP.

A associação acrescenta que "as preocupações de promoção de hábitos alimentares equilibrados fazem já parte do trabalho desenvolvido no setor", garantindo que "disponibiliza menus diversificados e aplica boas práticas alimentares nos seus estabelecimentos".

"As nossas empresas estão, aliás, disponíveis para, em colaboração com o Governo, serem um veículo privilegiado de informação para os consumidores, colaborando na preparação e divulgação de conteúdos informativos para a educação do consumidor", conclui a nota.

O reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, anunciou terça-feira que vai eliminar o consumo de carne de vaca nas cantinas universitárias a partir de janeiro de 2020, decisão que gerou reações de associações de vários setores.

A carne de vaca será substituída "por outros nutrientes que irão ser estudados, mas que será também uma forma de diminuir aquela que é a fonte de maior produção de CO2 que existe ao nível da produção de carne animal".

"Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada", sublinhou o reitor da UC, numa intervenção perante centenas de alunos.

Entretanto, na sequência desta polémica, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, considerou ser "relevante" que uma Universidade como a de Coimbra "tudo faça" com o objetivo de ser neutra em carbono e na quinta-feira a Associação Académica de Coimbra disse estar de acordo com a medida.

Mas associações de vários setores criticaram a ideia, tendo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) considerado a "interdição do consumo de carne de vaca nas cantinas da UC" uma decisão "demagógica e errada".

Numa nota enviada à agência Lusa, a CNA falou em "extremismo, que converge com outras posições radicais".

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