O Governo garantiu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que as reformas tomadas durante o programa de ajustamento "não estão em causa", mas sublinhou a intenção de continuar a reduzir a segmentação do mercado de trabalho.

Durante a manifestação dos CTT, que decorreu hoje à tarde em Lisboa, Jerónimo de Sousa foi questionado sobre o relatório do FMI hoje divulgado e, apesar de ainda não o ter lido, considerou não ser preciso fazê-lo para constatar que "há maus sinais" em momentos concretos de atuação do PS.

"Sim, é um 'feedback' que demonstra uma concertação tanto da União Europeia como do FMI com a vontade política do PS", respondeu o líder comunista, quando questionado se este relatório era também um mau sinal.

Entre estes momentos de atuação dos socialistas, Jerónimo de Sousa deu o exemplo do projeto de lei de reposição de pagamento de horas extraordinárias "em que o PS, com o PSD e o CDS, não querem essa reposição", o que considerou "claramente insustentável".

"As autoridades [portuguesas] declararam que as reformas da época do programa de ajustamento não estão em causa", pode ler-se no relatório do FMI divulgado hoje sobre a sexta missão pós-programa, que decorreu no final do ano passado.

A garantia foi dada numa altura em que os parceiros parlamentares e os sindicatos exigem que o Governo reverta algumas das alterações à legislação laboral feitas durante o período da 'troika', que facilitaram o despedimento individual e flexibilizaram a negociação coletiva.

No documento divulgado hoje, a equipa do FMI defende que são necessárias mais reformas estruturais, investimento e produtividade para aumentar o potencial de crescimento da economia e a resiliência a choques.