A inclusão de Alcobaça na Rede das Cidades de Aprendizagem da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) “é um reconhecimento do trabalho que tem sido feito e uma grande honra”, disse hoje à agência Lusa o presidente da câmara, Paulo Inácio (PSD).

A admissão na rede foi assinada pela UNESCO no dia 28 de junho, na sequência de uma candidatura elaborada durante o primeiro trimestre deste ano, “tendo por base os projetos educativos desenvolvidos e a história do concelho nesta matéria”, disse o autarca.

Milton Dias, sociólogo que coordenou a elaboração da candidatura, disse à Lusa que a mesma “espelhou o ADN do concelho” onde, “em 1269, foi dada a primeira aula pública em Portugal”.

No que toca à educação e ensino, "Alcobaça esteve sempre ligada às grandes revoluções”, afirmou o mesmo responsável, lembrando que, em 1914, vários estabelecimentos do concelho aderiram ao método João de Deus.

Uma década depois, em 1926, a cidade destacou-se pela abertura da primeira escola agrícola feminina e, em 1964, pela abertura da primeira cooperativa de ensino, o Externato Cooperativo da Benedita, ainda hoje em funcionamento.

Em termos práticos, a candidatura foi sustentada nas medidas promovidas pela autarquia em todos os níveis de ensino formal e não formal, uma vez que o concelho conta, a par com um dos maiores agrupamentos de escolas do país (Agrupamento de Cister), com cinco universidades seniores e três centros qualifica.

A oferta de manuais gratuitos a todos os alunos até ao 6.º ano “dois anos antes de o Governo ter implementado essa medida”, e a disponibilização de “plataformas de apoio para exames” são alguns dos projetos em que Alcobaça considera ter-se destacado na área da educação.

A candidatura à UNESCO refletiu ainda a ligação da escola às artes e à cultura no território onde se realizam anualmente dois grandes festivais de música clássica e um de literatura e cinema.

“A política educativa é muito virada para dotar as pessoas de competências, não apenas de conhecimentos”, sublinhou Milton Dias, adiantando a intenção do setor de educação de, “após esta entrada na rede, intensificar ainda mais as ações”, promovendo ciclos de conferências, grupos de estudo solidários baseados no voluntariado e criação de uma plataforma para discussão de ideias e problemas que querem “fazer chegar ao Ministério da Educação para serem tidos em conta na elaboração dos currículos escolares”.

“Este reconhecimento da UNESCO cria-nos também uma responsabilidade acrescida de manter os elevados padrões que tentamos ter na educação e no ensino e, até, intensificar a ação do município nesse setor”, concluiu Paulo Inácio.

A Rede das Cidades de Aprendizagem da UNESCO, foi aprovada em 2013, na Declaração de Pequim sobre Aprendizagem ao Longo da Vida para todos: promover a inclusão, a prosperidade e a sustentabilidade.

A Rede integra, segundo a página da internet da UNESCO, “cidades mais capazes de responderem às necessidades de aprendizagem dos seus cidadãos de utilizar os recursos de uma cidade de forma mais eficaz e assim proporcionar oportunidades de aprendizagem aos seus cidadãos, de promover a igualdade, a justiça social, manter a coesão social e de criar uma prosperidade sustentável”.

Em Portugal, a Rede das Cidades de Aprendizagem da UNESCO conta atualmente com 11 membros: Alcobaça, Setúbal e Cantanhede (agora admitidas), Câmara de Lobos, Mação, Cascais, Anadia, Lagoa (Açores), Praia da Vitória, Gondomar e Pampilhosa da Serra.

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