Os jornalistas da agência France Presse que acompanharam a leitura da sentença indicam que a juíza acrescentou à pena de nove anos de prisão mais um ano e meio de “liberdade sob vigilância” e o pagamento de 10 mil euros.

Navalny já se encontra preso desde janeiro de 2021.

O oposicionista deve cumprir a pena num estabelecimento prisional de “regime severo”, o que significa que as condições de detenção vão ser mais estritas.

O ativista russo de 45 anos começou a ser julgado em meados de fevereiro numa sala de tribunal improvisada na cadeia onde se encontra, a cerca de 100 quilómetros de Moscovo.

Navalny foi acusado de se ter apropriado de milhões de rublos que tinham sido doados às organizações de combate à corrupção que fundou na Rússia, mas também foi condenado por ter faltado ao respeito do tribunal, num processo anterior.

O caso de fraude contra o oposicionista que fundou centros de denúncia anticorrupção na Rússia está a ser julgado desde o ano passado.

A procuradoria pediu na semana passada que a pena de prisão de dois anos e meio que Navalny cumpre fosse aumentada para 13 anos de cadeia.

De acordo com a agência France Presse, Navalny compareceu na sessão de hoje com o tradicional uniforme prisional aparentando estar mais magro, mas mostrando boa disposição na conversa que manteve com os advogados de defesa.

Sem surpresa, a juíza Margarita Kotova apontou Navalny como "culpado". "Navalny cometeu fraude e o roubo de bens através de um grupo organizado", disse a juíza, acrescentando que o réu faltou ao respeito ao tribunal "insultando um juiz" durante o julgamento.

Cerca de uma centena de jornalistas assistiram à leitura da sentença numa sala de imprensa contígua ao tribunal, no estabelecimento prisional, através de um circuito interno de televisão.

De acordo com a AFP, não estiveram presentes apoiantes, ativistas ou figuras próximas de Navalny, que contou apenas com os advogados de defesa, numa altura em que se verifica uma vaga de intimidação contra as vozes críticas do Kremlin.

O ativista considera as acusações "fictícias" e "comandadas" pelo Kremlin para o manter na prisão.

Em agosto de 2020, Navalny ficou gravemente doente após uma deslocação à Sibéria, vítima de um agente tóxico que foi, segundo o ativista, usado por agentes dos serviços de informações (FSB) após ordens diretas do presidente russo, Vladimir Putin.

O Kremlin desmente, mas as autoridades russas nunca foram julgadas sobre a alegada tentativa de assassinato.

No regresso à Rússia em janeiro de 2021, após cinco meses de convalescença, Navalny foi preso e condenado a cumprir dois anos e meio de prisão por um processo de fraude que já tinha sido julgado em 2014.

Em junho de 2021 todos os organismos que fundou, em vários pontos do país, foram designados "extremistas" e proibidos, forçando vários ativistas ao exílio.

Outros apoiantes de Navalny que ficaram na Rússia acabaram por ser presos e cumprem pesadas penas de prisão.

A repressão contra as organizações e os apoiantes de Navalny provocaram fortes críticas em todo o mundo e a aplicação de sanções contra Moscovo.

Apesar de se encontrar preso, Navalny continua a transmitir mensagens políticas contra o chefe de Estado russo.

Após o início da campanha militar russa na Ucrânia, a 24 de fevereiro, Navalny opôs-se firmemente contra a invasão e apelou aos russos para se manifestarem contra o conflito apesar de arriscarem penas de até 15 anos de prisão.

Mesmo assim, 15 mil pessoas foram interrogadas na Rússia desde o mês passado por participação em manifestações contra a ofensiva, disse a organização não-governamental OVD-Info.

Paralelamente, foi reforçada a censura sobre a guerra na Ucrânia e bloqueados órgãos de comunicação social estrangeiros no país.

Na segunda-feira, a Justiça russa proibiu o uso das redes sociais norte-americanas Instagram e Facebook acusadas, tal como Navalny, de "extremismo". Redes sociais como o Twitter e o TikTok já se encontravam bloqueadas na Rússia.

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