Segundo disse à Lusa o presidente da União das Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada-Dafundo, João Antunes, a autarquia do concelho de Oeiras procedeu “a limpezas” e colocou em prontidão “a ação social, para se for preciso acudir a alguém, até para pessoas que estão sinalizadas” pelos serviços de assistência.

“Há umas comportas que foram postas nos estabelecimentos, estão a pôr sacos de areia também, mas espera-se que [o mau tempo] passe ao lado”, acrescentou o eleito pelo Inovar União Algés (IN-OV), acerca das medidas adotadas na Baixa de Algés.

A Câmara de Oeiras financiou na Rua Major Afonso Palla, artéria pedonal na Baixa de Algés que liga à estação ferroviária da Linha de Cascais, a instalação de 26 comportas nos estabelecimentos comerciais, para prevenir os efeitos das cheias e de inundações na zona.

A junta de freguesia reuniu-se hoje com a câmara e a Proteção Civil Municipal e o autarca confessou: “Esperemos que não seja preciso nada, mas mais vale estarmos prevenidos”.

João Antunes salientou que a principal dificuldade reside na previsão do período de maior pluviosidade “ser durante o dia”, e quando “Algés tem meio milhão de pessoas a circular durante o dia”, nas ligações de autocarros com a linha ferroviária de Cascais e o movimento na Avenida Marginal, caso seja preciso cortar o trânsito.

Para já, o período de maior prevenção decorre entre as 11:00 e as 18:00, com a maré cheia prevista para pouco antes das 18:00, e o presidente da junta admitiu que “o período da chuva vai ser sempre na enchente da maré”.

Mas, conforme salientou, tudo depende de variados fatores, pois na anterior cheia “não foi em Algés que choveu muito, foi na Amadora e no Restelo”.

A chuva intensa e persistente que caiu em dezembro de 2022 e início deste ano levou o município de Oeiras a reportar prejuízos de 16 milhões de euros. Algés, onde morreu uma mulher, foi a zona mais afetada.

Para já, o autarca avançou que “a ribeira foi desassoreada” e que “andaram a fazer uma análise com um ‘robot’ lá dentro da ribeira, mas só conseguiram fazer 46 metros”, aguardando que, com esta chuvada, “talvez aquilo limpe mais para ver se põem lá outro ‘robot’ para analisarem o resto da ribeira”.

No entanto, João Antunes não se mostrou demasiado otimista, uma vez que “desde as cheias de 2008 que se começou a falar em fazer alguma coisa” na requalificação da ribeira de Algés, com verbas da União Europeia, mas o projeto “caiu por terra e a partir daí nunca mais se fez nada”.

Em relação aos danos e prejuízos com as anteriores cheias, o autarca de Algés referiu que os apoios “têm chegado” aos comerciantes afetados “que tivessem tudo legal”, caso diferente para quem não tinha contrato de arrendamento em seu nome ou “licença de porta aberta” em falta, admitindo que “houve muitos que foram regularizar” a sua situação.

O Serviço Municipal de Proteção Civil (SMCP) de Oeiras informou, em comunicado, que se prevê nas “próximas 24 a 36 horas chuva, agitação marítima e ventos fortes (podendo atingir os 70 km/h) no concelho de Oeiras”.

A nota alerta a população “para a possibilidade de transbordo, devido à subida rápida do nível de água, em locais vulneráveis” na quinta-feira, “entre as 10:00 as 20:00”, sobretudo “entre as 11:00 e as 16:00, em que se prevê maior ocorrência de chuva”.

Nesse sentido, recomenda à população uma “condução defensiva”, tendo especial cuidado com “formação de ‘lençóis de água’ nas vias rodoviárias”, para “não atravessar zonas inundadas”, de modo a precaver arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos ou caixas de esgoto e “ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas”.

A população é ainda aconselhada a “especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas”, devido à possível queda de árvores” e “verificação de todas as estruturas” que “possam ser facilmente arrastadas ou levantadas dos seus suportes”.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou que a depressão Aline “irá atravessar o Atlântico em fase de cavamento, aproximando-se da região centro da costa ocidental de Portugal na manhã do dia 19, em deslocamento rápido para leste e transportando uma massa de ar muito quente, húmido e instável”.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) recomendou hoje aos cidadãos que evitem deslocações desnecessárias na quinta-feira devido à previsão de chuva e vento forte, consequência da passagem da depressão Aline pelo continente.

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