Pequim aumentou as medidas restritivas contra minorias muçulmanas para - segundo o governo - combater o extremismo islâmico e os elementos separatistas desta região autónoma - denominada Região Autônoma Uigur do Xinjiang - , a maior do país e das mais problemáticas dado a sua diversidade étnica.

Os ativistas pelos direitos humanos acusam Pequim de ter aberto "centros de reeducação" para as pessoas suspeitas de terem intenções hostis. Na sua maioria, seriam uigures, ou cazaques, as principais etnias muçulmanas de Xinjiang.

No seu mais recente comunicado, que inclui testemunhos de pessoas internadas em campos, a AI acusa Pequim de realizar "uma campanha governamental de internamentos em massa, de vigilância intrusiva, de doutrinamento político e de assimilação cultural forçada".

Num comité de direitos humanos da ONU em Genebra, a China foi acusada em agosto de prender, ou ter detido, um milhão de pessoas nesses centros, cujo paradeiro, segundo a AI, é desconhecido.

Em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional.

Desde então, as autoridades lançaram uma campanha repressiva, que foi reforçada a partir de 2016, quando o secretário do Partido Comunista Chinês (PCC), Chen Quanguo, foi transferido para a região, após vários anos no Tibete.

O jugo repressivo do governo de Xi Jinping, segundo a AI, ter-se-á intensificado com a adoção da diretiva "Regulações em Des-extremidade", em março de 2017. Segundo este texto, demonstrações públicas de religiosidade islâmica ou de cultura uigur podem ser consideradas extremistas, desde fazer jejum a envergar uma barba "anormal" e ou vestir burcas, assim como a posse de exemplares do Corão não autorizados, completou a ONG.

Muitos dos alegados cativos teriam sido internados por cometerem delitos como entrar em contacto com familiares residentes no exterior, ou de terem trocado saudações por ocasião de festas muçulmanas nas redes sociais.

"Centenas de milhares de famílias foram separadas devido a esta campanha repressiva", acusa Nicholas Bequelin, diretor de AI para o leste asiático, em comunicado. "As pessoas estão desesperadas para descobrir o que aconteceu aos seus familiares e está na hora de as autoridades chinesas darem respostas", aponta.

Pequim nega tratar-se de "centros de reeducação" ou de "detenção arbitrária", afirmando antes que são "centros de educação vocacional".

Os internamentos são justificados pelas autoridades chinesas pela necessidade de ajudar "os que foram enganados pelo extremismo religioso (...) através do reassentamento e educação".

Mas as evidências de que os campos servem para doutrinação política e incluem medidas coercivas surgem em documentos oficiais e testemunhos de pessoas que conseguiram escapar.

Aparentemente, Pequim ordena a internação de amplos grupos numa rede de campos extrajudiciais, visando ao doutrinamento político e cultural numa escala jamais vista desde a era maoísta.

A AI disse ter entrevistado vários ex-detidos que relataram o uso de correntes nos pés, torturas, além de serem forçados a entoar cânticos políticos e a aprender a história do Partido Comunista.

Nos últimos meses, jornalistas estrangeiros e outras organizações de defesa dos direitos humanos teriam recolhido depoimentos similares. A ONG também pediu ao mundo que pressione Pequim a prestar contas pelo "pesadelo" de Xinjiang.

Na semana passada, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, denunciou "campos de reeducação", nos quais - segundo ele - os uigures são submetidos a um "doutrinamento político estrito e a outros abusos horríveis".

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