No início da entrevista, Manuel Luís Goucha confrontou André Ventura, líder do Chega e candidato presidencial, com o termo "fascista", que muitas vezes "circula nas redes sociais".

"É evidente que não sou fascista. Aliás, eu nasci já depois do fascismo. Tem uma certa graça, as pessoas dizem que eu sou saudosista e que sou fascista; é um pouco estranho. Só que hoje, infelizmente, criámos um país em que qualquer pessoa que defenda os que não tem voz, que defenda os portugueses normais, comuns, que trabalham, os que tem de pagar impostos, os que não vivem à custa do sistema, é logo apelidado de fascista", atirou André Ventura.

O apresentador confrontou o líder do Chega com "uma direita extremista, uma direita que exclui", facto negado por Ventura. "Não creio. Creio que represento uma direita anti-sistema, isso sim, nunca escondemos isso", afirmou, referindo posteriormente o exemplo do PCP, que "anda ali às voltas, sim, não, talvez".

"Nós nunca escondemos que não gostamos deste sistema, desta Constituição. Mas isso não quer dizer que não gostamos de democracia", disse. "Que diabo, a Constituição não é uma Bíblia que nos caiu do céu e que temos de respeitar o resto da vida. Podemos alterá-la, aliás, ela prevê mecanismos de alteração", apontou.

André Ventura referiu ainda que "qualquer político que defende coisas como reduzir deputados, acabar com subsídios de quem não quer fazer nada, dizer que as minorias têm um problema ou defender a polícia" é chamado fascista. O líder do Chega remeteu ainda para o recente debate com Marcelo Rebelo de Sousa, frisando que o mesmo acontece quando se diz "que o Presidente devia estar do lado das pessoas de bem e não dos bandidos".

"Criámos esta cultura na Europa, não é só em Portugal. Eu vi isso noutros países da Europa para onde viajei recentemente", acentuou, frisando que "é um ataque vil dizer simplesmente 'você é fascista', sem rebater os argumentos".

Manuel Luís Goucha, que referiu que a sua definição de democracia "é inclusão", questionou o "combate às minorias" de Ventura, fazendo referência à questão dos ciganos, a uma "ciganofobia".

"Não creio que isso seja verdade", começou por responder André Ventura, admitindo no entanto que "talvez" os ciganos tenham ganhado "uma preponderância especial no seu discurso" e que muitas vezes tem dado esse exemplo, já que esta é uma comunidade, entre as "múltiplas" em Portugal, "onde o padrão de problemas é superior".

Ainda sobre este tema, o líder do Chega referiu que o Estado "tem responsabilidade" na questão, uma vez que "não há nenhuma comunidade com um nível de subsidiodependência como os ciganos têm".

Questionado sobre se entrou em contacto com associações da etnia cigana para encontrar soluções para os problemas que aponta, Ventura refere que estas apenas "fazem queixas" sobre as suas publicações nas redes sociais e discursos no Parlamento e que "nunca fazem um esforço para dialogar".

Sobre a questão dos imigrantes, o candidato presidencial frisou que o Chega "não é contra" e que "a Europa não pode voltar as costas aos que fogem da guerra, do terrorismo e da morte, porque os europeus também têm de se lembrar do seu passado".

Quanto à comunidade LGBT, André Ventura respondeu a Manuel Luís Goucha que tem "muitos amigos" homossexuais, ressalvando no entanto que, na sua perspetiva, "o matrimónio não é apenas um contrato de compra e venda, como o de uma casa, mas é uma instituição e as instituições vão crescendo ao longo do tempo", devendo portanto haver "um regime jurídico diferenciado".

No que diz respeito às presidenciais — confrontado pelo apresentador com a impossibilidade de o Chega ganhar as eleições — Ventura referiu que as sondagens o colocam "em terceiro lugar". "Vamos lutar contra este regime até ao fim, até vencer ou perder", garantiu, dizendo que é possível haver "outra democracia a sério".

A entrevista é a primeira no programa "Goucha" aos candidatos presidenciais.

As eleições presidenciais têm lugar no próximo dia 24 de janeiro. Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes, Marisa Matias, Tiago Mayan, João Ferreira, André Ventura e Vitorino Silva estão na corrida a Belém.

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