"O cordão de segurança da área exterior ao recinto da realização do jogo não obedeceu aos parâmetros normais e, corolariamente, não foram observadas as distâncias necessárias para garantir o acesso ao estádio, permitindo-se assim que populares com e sem bilhetes válidos para assistir ao jogo estivessem muito próximos do portão da entrada em referência", lê-se no comunicado do conselho de direção da FAF, com as conclusões do inquérito ao incidente, enviado hoje à Lusa, em Luanda.

O caso aconteceu a 10 de fevereiro, no estádio 4 de Janeiro quando estavam disputados os primeiros minutos do primeiro jogo da temporada no campeonato angolano de futebol, com a receção do Santa Rita de Cássia FC, que se estreava no Girabola, ao Recreativo do Libolo, com a confusão generalizada no momento de entrada.

Embora sem o referir expressamente e sublinhando que as conclusões ainda serão alvo de contraditório - o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, ordenou no próprio dia a instauração de um inquérito, conduzido pelo Ministério do Interior -, o relatório da FAF coloca a responsabilidade na organização no exterior do estádio, a cargo da polícia.

"Constatou-se que uma deficiente avaliação dos riscos que o jogo acarretava, em que a população estava ávida em assistir a uma partida de futebol, da equipa local que efetuava o seu primeiro jogo e da jornada inaugural do Girabola-ZAP 2017, esteve também na base do infausto incidente", lê-se no relatório, a enviar ao Governo.

Construído ainda no tempo colonial e propriedade do governo provincial, aquele estádio, na cidade do Uíge, foi alvo de vistorias antes do arranque da época, com a FAF a garantir que não foi detetado qualquer problema.

"As características e as condições do estádio 4 de Janeiro, em si mesmas, não influenciaram os trágicos acontecimentos (...) já que as entidades e os populares que foram ouvidos foram unânimes em confirmar que as falhas havidas foram no plano de asseguramento da área exterior ao recinto da realização do jogo", lê-se.

O estádio em causa, recorda a FAF, contava com três portões de acesso geral, mas apenas um foi aberto, o que terá propiciado a confusão: "Uma concentração consideravelmente excessiva de populares para entrada na zona do estádio sem bancadas num só portão, quando foram vendidos 2.500 bilhetes para essa parte do estádio, é outra das causas que estiveram na origem dos tristes acontecimentos daquela fatídica tarde".

Uma fonte da equipa da casa, o Santa Rita de Cássia, avançou no próprio dia, à Lusa, o incidente terá sido provocado pelos centenas de adeptos que tentavam entrar no estádio ao mesmo tempo, por entre a asfixia de dezenas de pessoas e a confusão instalada.

Segundo a FAF, para a partida em causa tinham sido vendidos 350 bilhetes para a bancada, uma área com capacidade para 900 lugares, cada um a 2.000 kwanzas (11 euros), e mais 2.500 a 500 kwanzas (três euros) para a zona geral, a pé, que tem capacidade para 5.000 pessoas, pelo que o estádio "ficou aquém da sua lotação máxima".

O mesmo relatório da FAF indica que contrariamente ao que chegou a ser avançado por alguma comunicação social não há registo de queda de qualquer muro do estádio, centrando-se as conclusões do inquérito no cordão de segurança insuficiente e na abertura de um único portão.

Como medida cautelar, aquele organismo orientou a "introdução imediata", já na próxima jornada do Girabola a disputar este fim de semana (terceira ronda) de várias condições a verificar pelos comissários ao jogo e "sem a observância das quais os mesmos não devem ter lugar".

Passa a ser obrigatória a existência de um relatório de avaliação do risco da partida, um plano de asseguramento do jogo, um relatório com o número e qualidade dos lugares correspondentes aos bilhetes a serem vendidos, um plano de distribuição dos espetadores e um plano de evacuação, entre outras medidas.

Estas medidas, ainda provisórias, serão reunidas no futuro regulamento de prevenção e segurança nos estádios angolanos.

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