De acordo com as primeiras informações de antecedentes de Omar Mateen, de 29 anos, este cidadão americano muçulmano professava o ódio pelos homossexuais.

Mateen é apontado como o atirador que matou 50 pessoas e deixou 53 feridos na madrugada deste domingo no bar Pulse. Ele foi abatido num tiroteio com a Polícia.

As autoridades americanas ainda investigam as suas motivações, se ele tinha vínculos com algum grupo, ou organização, e se o ataque foi inspirado pelo terrorismo islâmico.

O FBI informou que o atirador ligou para o número de emergência antes do tiroteio para expressar lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico (EI). Familiares entrevistados reconhecem os defeitos de Mateen, que trabalhava como segurança, mas afirmam que ele não era muito religioso, no momento em que suas "simpatias" pelo movimento islâmico são investigadas pelo FBI.

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Destacam, porém, o seu comportamento violento e homofobia. Em choque, o pai de Mateen, Mir Seddique, disse que o filho estava furioso, após ter visto recentemente dois homossexuais a beijaram-se numa rua de Miami. "Estávamos no centro de Miami, em Bayside. Havia pessoas a tocar música", contou o pai à rede NBC. "Ele viu, então, dois homens a beijarem-se, na frente da mulher e do filho, e ficou enfurecido", afirmou Seddique. "Beijavam-se e tocavam-se, e disse-me: olha isto. Fazem isto na frente do meu filho", completou.

O tiroteio, o mais sangrento desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, aconteceu no bar Pulse, uma conhecida casa gay de Orlando.

"Estamos em choque como todo o país", completou Seddique, insistindo em que "isto não tem nada a ver com a religião".

Violento e abusivo

Nascido em Nova Iorque, em 1986, Mateen mudou-se com a família para a Flórida, onde iniciou os estudos de Direito na Universidade Estadual Indian River. Em 2009, casou-se com a primeira mulher, da qual se divorciou em 2011, segundo documentos judiciais consultados pela AFP.

Em entrevista ao jornal The Washington Post, essa ex-mulher do suspeito revelou que Mateen era violentamente abusivo. Ela abandonou-o em 2011 por temer pela sua vida. "Não era uma pessoa estável", declarou a ex-esposa ao jornal, que não divulgou a sua identidade por questões de segurança. "Ele batia-me. Podia chegar a casa e começar a bater-me só porque a roupa não estava lavada, ou alguma coisa do tipo", contou na entrevista.

Segundo o relato da ex-esposa de Mateen, ambos se conheceram em Nova Iorque, mas mudaram-se para Fort Pierce, na Flórida, em março de 2009.

Perante a violência cada vez maior, a mulher pediu ajuda aos sogros, que a tiraram do apartamento em que vivia com Mateen. Divorciaram-se logo depois. "Eles literalmente salvaram a minha vida", disse a mulher sobre os seus sogros.

A ex-esposa descreveu-o como uma "pessoa privada", mas não particularmente expressiva sobre a sua fé muçulmana. Disse ainda que ele tinha um pistola de pequeno calibre e trabalhava como segurança num centro de reclusão para jovens delinquentes.

Segundo o FBI, Mateen chamou duas vezes a atenção dos investigadores, em 2013 e 2014, por supostos vínculos com extremistas islâmicos. Nunca foram encontradas provas contra ele.

De acordo com o Departamento de Agricultura e Serviços do Consumidor da Flórida, a licença de porte de armas de Marteen expira em setembro do próximo ano.

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