António José Seguro foi entrevistado no programa da TSF "Rede Social", onde reiterou a decisão que tomou em setembro de 2014 de se manter afastado sobre assuntos de política partidária.

"Quando eu digo 'afastei-me', nem sequer estou à espreita. Gosto muito de dar aulas, de trabalhar com os meus alunos, tenho novos projetos, mais tempo para a família e para os amigos", referiu.

Questionado sobre a chegada da extrema-direita à Assembleia da República na sequência das últimas eleições legislativas, o professor universitário e líder socialista entre 2011 e 2014 apontou que, em toda a Europa, se assiste "à emergência de novos partidos", trazendo consigo forças "de tipo diferente".

Em relação aos partidos "exploradores do medo" anti-imigração, António José Seguro advogou que "os partidos tradicionais têm de dar respostas aos problemas das pessoas, que são graves".

"Temos de investir na qualidade da democracia, na transparência, em novas práticas políticas. Quem gere dinheiros públicos, quem está à frente dos destinos (desde uma Junta de Freguesia até à Comissão Europeia) tem de ser exemplar, irrepreensível. Mas também temos de combater as desigualdades, que têm vindo a aumentar", destacou, antes de citar o dado de que 26 multimilionários existentes no mundo possuem tanta riqueza quanto a metade mais pobre dos cidadãos do mundo.

Nas democracias ocidentais, ainda de acordo com António José Seguro, "há problemas de desafetação, pessoas que já não querem saber o que se passa na vida política, e de desilusão, aqueles que ainda votam".

"Se repararem, nas democracias europeias, a percentagem daqueles que vão às urnas, mas que votam branco, é uma percentagem elevada", observou.

O ex-secretário-geral do PS afirmou ainda que na atividade política "o exemplo tem de vir de cima, de quem lidera e de quem governa".

"O exemplo tem de vir dos dirigentes mundiais - e esse exemplo muitas das vezes não existe ou era melhor que não existisse", completou.

Nesta entrevista, o ex-secretário-geral do PS disse continuar a ser um defensor da regionalização em Portugal, mas advertiu que é preciso explicar aos cidadãos como se concretiza essa reforma descentralizadora.

"Há muitas pessoas que defendem a regionalização apenas para criar mais cargos e mais despesa. Entendo que é possível fazer a regionalização diminuindo a despesa. A única coisa que muda é quem decide o investimento a fazer em cada região - e aí sou claramente a favor de que sejam as pessoas que residem e que conhecem esse território", justificou.

Neste ponto, António José Seguro admitiu ainda que, do ponto de vista teórico, até se poderá encontrar um modelo diferente da regionalização para travar a assimetrias de desenvolvimento no território nacional.

"O que eu quero é ver desenvolver o meu país de forma equilibrada e, sobretudo, que o interior não seja massacrado e amassado, como tem sido", acrescentou.

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