Na reunião do CmP, que hoje decorreu na Casa da Arquitetura, em Matosinhos, o presidente do órgão, Eduardo Vítor Rodrigues, considerou que há um problema que já não é da Infraestruturas de Portugal (IP), mas do Governo.

Em causa estão projetos como a requalificação da Estrada da Circunvalação, orçado em 58 milhões de euros, e a resolução do congestionamento da Via de Cintura Interna (VCI), no Porto, com autarcas a defenderem como uma solução a retirada das portagens da Circular Regional Externa do Porto (CREP).

“Neste momento precisamos de um ‘sim’ ou de um ‘não’ [do Governo]”, afirmou aos jornalistas o presidente do CmP, Eduardo Vítor Rodrigues.

Elogiando o estudo encomendado pelo Porto sobre a VCI, o autarca de Vila Nova de Gaia afirmou que não se admiraria que “a IP se prepare para dizer que os congestionamentos da via são culpa dos concelhos”, alegando que a VCI “não é uma via de atravessamento, mas um serviço dos municípios, quase exclusivo do Porto”.

“Isso não é verdade, a VCI é uma via de atravessamento que está a entupir a ponte da Arrábida e o que pretendemos é demonstrar [ao ministro] os ganhos económicos, financeiros e ambientais de retirar as portagens da CREP, libertando assim a VCI. Isto tem de ser assumido politicamente”, frisou.

Para Eduardo Vítor, “é inadmissível que se esteja a tentar dialogar com o Governo e a seguir a IP decida ligar os radares [da VCI] sem dar cavaco a ninguém, percebendo a realidade através do Google e não ‘in loco’”.

O autarca disse ainda existir “o perigo” de “alguém pensar que a forma de dissuadir o trânsito da VCI é colocar lá portagens”.

Já sobre a requalificação da Circunvalação, que atravessa os concelhos do Porto, de Matosinhos, da Maia e de Gondomar, disse que a IP deve estar a presumir que os 1,3 milhões de euros atribuídos “sejam utilizados para a poda das árvores”.

O autarca de Gaia admitiu que haja perda de fundos comunitários para realizar este projeto, porque “as câmaras estão a lutar, mas não estão a ter acompanhamento da IP”.

“Não está previsto nenhum orçamento específico além dos 1,3 milhões de euros”, disse, e “pior” é ter “o próprio Governo a dizer que temos baixa de execução do quadro comunitário quando muitas vezes é por falta de comparticipação nacional” que os projetos não são executados.

Aos jornalistas, Rui Moreira considerou que “1,3 milhões de euros para a Circunvalação é uma brincadeira”.

“Ou se enganaram num zero ou estão a brincar connosco”, vincou Moreira.

O presidente da Câmara da Maia, Silva Tiago, afirmou ser “verdade que a IP não liga nada” aos municípios.

Também a autarca de Matosinhos, Luísa Salgueiro, criticou a atuação da IP, afirmando estarem em risco as verbas comunitárias para a requalificação da Circunvalação.

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