"A quebra de rendimentos e o desemprego afetam de forma expressiva a condição socioeconómica dos agregados familiares mais pobres, fenómeno que desaguará, infelizmente, num aumento substancial do abandono escolar no ensino superior", alertou o novo presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), no discurso da cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais eleitos a 19 de novembro.

Para João Assunção, a defesa de um ensino superior universal e "sem barreiras financeiras de qualquer ordem" assume especial importância num "ano particularmente duro para todos os cidadãos", devido à pandemia da covid-19.

"A Academia de Coimbra estará, como sempre esteve, pronta para exigir à tutela que cumpra as suas obrigações de não deixar que nenhum estudante do ensino superior português fique para trás", vincou.

O dirigente estudantil notou que apesar de todos os portugueses viverem "a mesma crise sanitária", não pode haver ilusões de que "tudo ficará bem ou de que a tormenta económica afetará todos da mesma forma".

"São hoje milhares os colegas que encaram o seu futuro académico marcado por uma incerteza desumana, desde o colega que viu os seus familiares, repentinamente, a ficarem sem emprego, ao colega estrangeiro vinculado ao pagamento de uma propina internacional obscena e desfasada da realidade socioeconómica do seu país de origem", realçou.

João Assunção salientou ainda que neste ano "particularmente perturbador" é imperativo mobilizar a AAC na luta "contra a desigualdade nas suas múltiplas faces, oponde-se de forma absoluta a qualquer tratamento diferencial entre indivíduos fundado na riqueza, origem ou género".

O novo presidente da associação quer ainda que a AAC seja uma "resistência ensurdecedora perante as vagas de movimentos político-partidários fundados em valores autocráticos, xenófobos e antidemocráticos".

Durante o discurso, João Assunção defendeu ainda uma aproximação à cidade de Coimbra, pela via da cultura e do desporto.

João Assunção, vice-presidente da anterior direção-geral, foi eleito presidente da AAC, com 90,68% dos votos a 19 de novembro, num ato eleitoral que registou uma taxa de abstenção de cerca de 86%, uma das abstenções de que há memória nas eleições dos últimos anos nesta associação.

João Assunção sucede a Daniel Azenha, que foi presidente da direção-geral da AAC nos últimos dois anos.

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