“Mais uma vez, o EIA vem embelezar a destruição, mas nós não acreditamos nada nesse estudo, não acreditamos em nada do que lá diz porque é tudo falso”, afirmou Armando Pinto, depois de esta tarde ter liderado um protesto que juntou cerca de 300 pessoas em Montalegre, distrito de Vila Real, numa altura em que decorre a Feira do Fumeiro, um dos eventos mais emblemáticos desta vila.

O EIA da concessão de exploração de lítio, em Montalegre, conclui que o projeto possui “impactes negativos” que, no entanto, “não são significativos”, “são minimizáveis” e de “abrangência local”.

O EIA do projeto “Concessão de Exploração de Depósitos Minerais de Lítio e Minerais Associados – “Romano”, elaborado pela Lusorecursos Portugal Lithium, foi entregue em 06 de janeiro à Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O resumo não técnico do documento, a que a agência Lusa teve hoje acesso, conclui que o projeto “possui impactes negativos, no entanto, estes não são significativos, são minimizáveis e a abrangência é apenas local”.

Armando Pinto acha “estranho” que o EIA tenha vindo hoje a público, dia em que a associação tinha o protesto marcado para a praça do município.

“É estranho que a comunicação social tenha acesso ao estudo quando as próprias entidades responsáveis por ele ainda não deram conhecimento dele. É tudo muito estranho”, sublinhou.

Garantindo que vai continuar a lutar contra a exploração do lítio e os danos que esta vai causar nas populações, o dirigente lembrou que, apesar do EIA, haverá ainda uma “série de tramites legais” a serem cumpridos até à efetiva exploração.

O projeto de exploração de lítio, em Montalegre, propõe uma exploração mista, a céu aberto e subterrânea e prevê a criação de uma unidade industrial e de "370 empregos" até 2025, segundo o EIA.

“Esta solução permite reduzir o impacte no ambiente, principalmente no que diz respeito à afetação da paisagem e na redução de emissões, ao mesmo tempo que mantém a viabilidade económica do projeto”, refere o documento.

A concessão corresponde a uma área de 825,4 hectares, inseridos nas freguesias de Morgade e Sarraquinhos, no concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, e está a ser alvo de contestação da população local que aponta preocupações ao nível da dimensão da mina e consequências ambientais, na saúde e na agricultura.

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