“Tenho que estar preparado, porque a Comissão não somos nós, é a instituição. A instituição precisa de ter comissários e se isso acontecesse eu ficaria, porque cumpro os meus mandatos até ao fim. Do ponto de vista pessoal, obviamente custa-me muito, porque nós já estávamos preparados para sair em novembro e ainda vai demorar pelos vistos mais um mês”, respondeu ao ser questionado sobre um hipotético novo atraso na entrada em funções da Comissão Von der Leyen.

O comissário da Investigação, Ciência e Inovação do executivo liderado por Jean-Claude Juncker, que deveria sair de cena em 31 de outubro, mas permanecerá em funções pelo menos até ao fim do mês de novembro, espera que o impasse não se prolongue além de 01 de dezembro, considerando que o mesmo “é mau para a Europa”.

“Eu estarei o [tempo] que for necessário, mas pensar que os novos comissários que já poderiam estar a trabalhar não estão, e que nós estamos no fim e também não podemos fazer muito mais é muito mau para a Europa. Eu deixo aqui um apelo aos países europeus e aos deputados e a todas as pessoas para que isto se resolva rapidamente e tenhamos uma nova Comissão Europeia a funcionar”, exortou em Estrasburgo (França), à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu.

Em 16 de outubro, a assembleia europeia descartou a entrada em funções da nova Comissão Europeia na data prevista, 01 de novembro, ao solicitar uma “designação rápida” de três novos comissários, de modo a permitir o início do mandato em 01 de dezembro.

De acordo com o calendário original, a equipa de Ursula von der Leyen (presidente eleita pela assembleia em julho) deveria ser votada como um todo nesta sessão plenária em Estrasburgo, concretamente em 23 de outubro, de modo a entrar em funções na semana seguinte, mas a Conferência de Líderes do Parlamento Europeu retirou a votação da agenda desta semana, uma vez que falta conhecer, ouvir e aprovar comissários designados de três países, Roménia, Hungria e França.

Apesar da incapacidade da presidente eleita para solucionar a questão de forma célere, o comissário português rejeita que falte à política alemã a habilidade política do seu predecessor, Jean-Claude Juncker.

“Acho que são estilos muito diferentes. A senhora von der Leyen tem uma grande experiência política na Alemanha. Obviamente, ela tem aquilo que muitas vezes os políticos mais de carreira não gostam de ver, é que ela entra na política mais tarde. Acho que isso é bom para a política, é bom para o futuro. Aquilo que ela não tem na experiência política traz da experiência do exterior, como médica, como pessoa”, analisou.

Dizendo gostar “muito” de Ursula Von der Leyen e estar esperançado no seu sucesso, Carlos Moedas enalteceu o bom sinal que representa ter uma mulher como presidente da Comissão Europeia.

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