"Usufruímos do primeiro ano no verde, o que permite sair do plano de saneamento financeiro, contratar 110 pessoas para as escolas e lançar projetos de maior envergadura. É um balanço positivo, mas o verde é ainda um verde clarinho", disse Eduardo Vítor Rodrigues, que falava à agência Lusa um ano depois de ter sido reconduzido para um segundo mandato.

Em outubro de 2017 o PS elegeu em Gaia, distrito do Porto, nove vereadores, enquanto a oposição, a coligação PSD/CDS-PP, elegeu dois. Os socialistas também conseguiram o pleno nas juntas ao conquistarem 15 em 15.

Para o autarca de Gaia, este ano fica marcado pela "sustentabilidade das contas", pelas aquisições de património e pelo lançamento de projetos, mas sobretudo pela "ambição sem esquecer o quotidiano".

"Pretendemos que as contas se estabilizem para demonstrar que podemos ser ambiciosos, conciliando grandes projetos e sustentabilidade financeira, mas não podemos esquecer que no dia a dia é preciso resolver o problema do buraco do passeio", disse.

A Câmara de Gaia fechará o ano de 2018 com 130 milhões de euros de passivo e, no que diz respeito a projetos, o primeiro ano pós-autárquicas ficou marcado pelo anúncio da construção da ponte D. António Francisco dos Santos, uma travessia sobre o Douro a construir à quota baixa em parceria com a Câmara do Porto.

Vítor Rodrigues destaca outros dossiês, entre os quais a aquisição, por 2,5 milhões de euros, do terreno Cerâmica das Devesas, onde pretende instalar o Museu da Cidade, um auditório municipal e zona de estacionamento, somando-se, pelo mesmo valor, a aquisição da quinta da Lavandeira e estufa de ferro fundido que a integra de modo a ampliar o parque natural com o mesmo nome.

No que diz respeito a projetos que marcaram os últimos 12 meses, executivo e oposição confluem, uma vez que, questionado sobre este tema, o vereador social-democrata Cancela Moura aponta como "muito positiva" a compra do terreno das Devesas.

"Foi uma aquisição consensual. Vai evitar a especulação imobiliária e vai-se criar uma área museológica no centro da cidade", disse o líder da oposição em Gaia.

No entanto, para Cancela Moura o primeiro ano deste executivo fica marcado negativamente pela "não redução da carga fiscal das famílias", com o vereador a criticar a maioria PS por, disse, "face à consistência da tesouraria da Câmara, os benefícios não terem sido distribuídos por todos".

"Foi negada a nossa proposta de baixar o IMI em 10% e também não desagravaram a restante componente fiscal como a derrama para as empresas, nem devolveram o IVA", desenvolveu Cancela Moura.

Mas Eduardo Vítor Rodrigues garante que é objetivo deste mandato "repercutir nos cidadãos a melhoria da situação financeira do Município", lançando como "grande prioridade" a redução da fatura da água, um processo que estima que esteja concluído em 2020.

Melhorias nos transportes, centro de congressos, pavilhão multiúsos, reforço de programas na educação, área da deficiência, saúde, estágios remunerados ou apoio ao arrendamento, são outros dos projetos destacados por Vítor Rodrigues como estando em curso, isto num Município que resolveu adiar para 2019 a decisão sobre a descentralização de competências.

"Gaia não vira as costas a desafios, mas coisa diferente é alinhar em aventureirismos. Ao fim de quatro anos em que fizemos um esforço brutal para pôr as contas em dia, ninguém ia perceber se avançássemos sem saber como é que se paga e como vai funcionar", disse o autarca.

Quanto à relação com a oposição, o líder socialista é claro: "Não tenho sentido nenhum tipo de oposição propriamente dita. O que tenho sentido é uma vontade muito grande de transformar a política numa guerra campal".

Também Candela Moura diz não ter memória de um relacionamento institucional "tão mau".

"Isto deve-se a um presidente de Câmara com falta de urbanidade e que convive muito mal com a diferença de opiniões", concluiu o social-democrata.

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