Bernardino Soares foi reeleito presidente da Câmara Municipal de Loures (distrito de Lisboa) nas últimas eleições autárquicas com 32,76% dos votos, elegendo quatro vereadores, os mesmos do PS (28,24%) e apenas mais um do que o PSD/PPM (21,55%).

Numa situação minoritária, ao contrário do mandato anterior onde tinha conseguido um acordo de gestão com os sociais-democratas, Bernardino Soares admitiu à Lusa que a atual conjuntura política no município tem sido “muito exigente”.

“Foi um ano politicamente muito exigente e talvez o ponto menos positivo foi a falta de disponibilidade das outras forças políticas para assumirem responsabilidades e, com isso, contribuir para um funcionamento mais regular e normal do município. A CDU sempre teve essa vontade, das outras forças é que não houve essa disponibilidade”, queixou-se o autarca.

Apesar das dificuldades em negociar com os partidos da oposição, a que foi exemplo o último orçamento dos Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos (SIMAR), o autarca comunista considera que o trabalho que foi desenvolvido durante o primeiro ano “foi positivo”.

“Houve um trabalho muito intenso de continuidade de vários projetos e em que foram resolvidas várias questões”, sublinhou, realçando o investimento nas escolas, nos bairros sociais, nas redes de saneamento e nas obras de prevenção das cheias da cidade de Sacavém (em curso) como as mais relevantes.

Outro aspeto que Bernardino Soares destaca é o trabalho que a autarquia tem desenvolvido juntamente com outros municípios da Área Metropolitana de Lisboa para melhorar o sistema de transportes públicos e conseguir expandir para o concelho a rede do metro de Lisboa.

“Conseguimos uma baixa substancial do preço dos passes, um alargamento efetivo do transporte rodoviário e a consolidação da ideia de que é essencial a extensão do metro para Loures”, sintetizou.

O investimento na área da Cultura e a promoção de eventos culturais, assim como a criação de uma plataforma digital de atendimento foram outros dos destaques do autarca comunista.

A contrastar o otimismo de Bernardino Soares está um sentimento de “desilusão” por parte dos partidos da oposição.

Ricardo Leão, presidente da concelhia do PS de Loures e presidente da Assembleia Municipal, fez um “balanço surpreendentemente negativo” do primeiro ano de mandato, queixando-se da passividade do executivo.

“É surpreendentemente negativo porque se pretendia e esperava uma dinâmica diferente. Sente-se um afastamento deste executivo da população, desconhecendo os problemas verdadeiros. Fazem-se anúncios de megaprojetos que não significam nada para as pessoas”, criticou.

No entanto, como ponto mais negativo, o responsável socialista aponta para os problemas que se têm verificado na recolha do lixo no concelho, nomeadamente com os monos, considerando “uma vergonha” o estado a que as ruas do município chegaram.

“É a maior vergonha que se assiste nos últimos anos no concelho de Loures. Não encontro nenhum outro concelho da Área Metropolitana de Lisboa onde este problema esteja tão grave como está aqui. Não há recolha de resíduos, o lixo amontoa-se nos caixotes e a Câmara Municipal e os SIMAR o que fazem para resolver essa questão? Nada”, acusou.

No mesmo sentido, o vereador social-democrata (sem pelouros) e candidato nas últimas eleições André Ventura considerou que o primeiro ano do segundo mandato de Bernardino Soares foi um “fracasso em toda a linha”.

“Um fracasso em áreas fundamentais para o concelho como a segurança e a recolha de resíduos, em que as populações continuam a manter as queixas que mantinham antes da campanha eleitoral. Um fracasso em matérias como a questão dos bairros sociais e da segurança nas zonas limítrofes. Um fracasso político”, afirmou.

André Ventura acusou ainda os eleitos da CDU de “falta de capacidade para negociar com a oposição”, situação que, no entender do social-democrata, se torna “mais grave quando não existe maioria absoluta”.

“O grande balanço que se verifica é a possibilidade bastante séria de a Câmara da CDU não conseguir ter um orçamento aprovado. Esperemos que a CDU depois não se venha queixar de que lhe mandaram o executivo abaixo e não os deixaram governar. Tiveram todas as condições para uma negociação política aprofundada e não o quiseram levar a cabo”, atestou.

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