“Isto é apenas um Pardal que quer entrar no parlamento e arranjou uma forma de publicidade para poder entrar melhor no parlamento, é apenas isso”, afirmou o automobilista João Silva, em declarações à agência Lusa, referindo-se a Pedro Pardal Henriques, advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), um dos sindicatos que convocou a greve que se inicia na segunda-feira, por tempo indeterminado.

A chover, ao final da manhã, em Lisboa, João Silva foi abastecer o carro num posto de abastecimento no Campo Grande, onde “costumam estar alguns carros, mas não tantos como hoje”, pelo que foi encher o depósito, como costuma fazer habitualmente, por “necessidade” e não para se precaver dos impactos da greve.

“É uma questão de Pardal, é uma questão de pássaros”, reforçou o automobilista, desvalorizando a paralisação dos motoristas de perigosas, concluindo que o constrangimento que sente é “absolutamente nenhum”.

No mesmo posto de abastecimento, no Campo Grande, Maria Mateus, que é cliente habitual naquela bomba, aproveitou a deslocação que teve que fazer hoje para meter “mais um bocado de gasolina”, mas não atestou o depósito, porque acha que a gasolina que tem é suficiente para enfrentar o período de greve.

“Não sei quando é que acaba a greve, é uma coisa mal feita. Temos direito à greve, mas não prejudicar muita gente”, contestou a automobilista, indicando que “há mais um bocadinho de movimento” no posto.

Apressando para ir trabalhar, Nelson Longo abasteceu hoje o carro por “necessidade apenas”, uma vez que faz “muitos quilómetros por dia”.

“Acho estúpido este alarmismo todo, mas foi mesmo por necessidade, porque senão o carro ia parar”, reforçou o automobilista, em declarações à Lusa, defendendo que o impacto da greve vai ser sentido no bolso dos portugueses, “porque vão andar a pagar a gasolina ou o gasóleo independentemente do preço”.

Em relação às reivindicações dos motoristas, Nelson Longo prevê que a paralisação “não vai ter grande efeito, porque quando começarem a ver, com a requisição civil, caso isto vá realmente para a frente, que as coisas continuam a andar, provavelmente isto vai cair por terra”.

“Vou continuar a abastecer como tenho feito até aqui, não vou meter a mais, agora vou tentar ter sempre o mínimo, mas não vou fazer como essas pessoas de [meter] 50, 60 euros, não vale a pena”, declarou o automobilista.

A trabalhar neste posto de abastecimento, na zona do Campo Grande, Fredy Rocha disse que houve nas vendas “um aumento significativo, com a pressão que as pessoas têm em relação à greve que pode vir a acontecer”, lembrando que, na última greve, este foi um dos postos que se manteve com combustível.

“Já vieram aqui até encher jerricãs e isso, mas sentiu-se mesmo agora, a partir da última segunda-feira”, referiu o operador do posto de abastecimento, reforçando que, desde o início desta semana, que se tem sentido o impacto do anúncio da greve, registando-se momentos com “filas enormes”.

À semelhança deste posto de abastecimento no Campo Grande, os serviços de abastecimento de combustível na cidade de Lisboa tem funcionado de forma normal, sem registo de constrangimentos significativos.

A greve, que se inicia na segunda-feira, por tempo indeterminado, foi convocada pelo SNMMP e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que acusam a Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) de não querer cumprir o acordo assinado em maio, que pôs fim a uma greve que deixou os postos de abastecimento sem combustíveis.

Esta greve ameaça parar o país em pleno mês de agosto, uma vez que vai afetar todas as tipologias de transporte de todos os âmbitos e não apenas o transporte de matérias perigosas. O abastecimento às grandes superfícies, à indústria e serviços deve ser afetado.

Também se associou à paralisação o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

Na quarta-feira, o Governo decretou serviços mínimos entre 50% e 100% para a greve dos motoristas de mercadorias.

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