Segundo o CIBIO-InBIO, o estudo, hoje publicado na revista 'Nature Ecology & Evolution', demonstra que apesar de o uso do solo se ter tornado "mais eficiente" nos últimos anos, o "dano total no ambiente aumentou".

A equipa internacional, coordenada pelo investigador do CIBIO-InBIO, Henrique Pereira, analisou o papel do crescimento populacional e do desenvolvimento económico na "perda de biodiversidade e serviços ecossistémicos", e concluiu que o impacto do uso do solo sobre a biodiversidade "mudou com o tempo".

De acordo com o centro, os investigadores recorreram, durante o estudo, a modelos económicos, dados sobre a biodiversidade, o uso do solo e o processo de captura do gás carbónico (CO2) referentes ao período de 2000 a 2011.

Henrique Pereira, citado no comunicado, adianta que no período de tempo observado "o número de espécies de aves ameaçadas devido ao uso do solo aumentou em sete por cento", acrescentando que, durante o mesmo período, "o planeta perdeu seis por cento do seu potencial para absorver CO2 do ar" devido à vegetação existente nas áreas recém-criadas de cultivo não ser capaz de "absorver tanto carbono quanto os habitats naturais".

"Os autores verificaram também que enquanto a perda de biodiversidade ocorre quase inteiramente nas regiões tropicais, as taxas de sequestro do carbono nos ecossistemas estão a diminuir em todo o mundo, mas que um quarto do declínio do sequestro de carbono é devido ao uso de terras agrícolas e florestais na Europa e na América do Norte", salienta a instituição.

O CIBIO-InBIO refere que os investigadores também analisaram o impacto do "comércio global" e identificaram, no período de 11 anos do estudo, a criação de gado como "a principal responsável pela destruição da biodiversidade".

"Os investigadores defendem que uma redução no crescimento populacional é essencial para alcançar os objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU, o que deverá beneficiar tanto a sociedade quanto a natureza. Ao mesmo tempo, os países desenvolvidos deveriam ter mais em conta a sua responsabilidade pela destruição da biodiversidade em outras partes do mundo e o impacto das suas políticas no uso global da terra", acrescenta o centro.

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